LUIZ GERALDO MAZZA
O Brasil meridional
Uma das crises institucionais brasileiras é o nosso federalismo. Uma das formas de corrigi-lo surge agora em crises localizadas como a do crime organizado no Sudeste, mais a calamidade das cheias, e também no encontro com governadores do Nordeste que defenderam a recriação, desejada por Lula, dos organismos regionais como a Sudene.
Se cada governador, tal qual se deu na missão da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, em Curitiba, colocar as suas pendências será tão intensa a pauta que dificilmente haveria atendimento. Embora seja importante colocar questões pontuais, o exame de problemas comuns à cada região e isso não é complicado pela tradição de estudos, diagnósticos e projetos existentes é uma forma bem mais racional até porque tenta recompor o tecido federativo esgarçado por tantas coisas, inclusive um poder da União frente a estados e municípios que nos remete quase à visão de uma república unitária.
Estudos do IBGE e Contas Regionais, referentes a 2004, mostram que a soma dos estados meridionais representou 18,3% do PIB brasileiro, o que não deixa de ser um dado relevante para destacar o dado logístico e estratégico do Sul.
Emulação
Tenho defendido a tese de que o Paraná deveria deixar de lado seus exageros triunfalistas e fazer analogias apropriadas na região. Em indicadores sociais levamos um baile (expectativa de vida, mortalidade, escolaridade) e no dado econômico persistimos abaixo do Rio Grande do Sul e bem acima de Santa Catarina. Em renda per capita os gaúchos, com toda a sua crise fiscal, têm R$ 13,3 mil, Santa Catarina R$ 12,1 mil e a nossa de R$ 10,7 mil.
Terceiro setor
O novo presidente do Tribunal de Contas, Nestor Baptista, promete um cerco em torno do terceiro setor (ONGs, Ocips), alvo de desvios e que com isso compromete a flexibilidade anunciada para serviços públicos.
Madeira
Madeireiras do Paraná pensam em transferir saída de suas exportações para o Uruguai. Em Montevidéo um contêiner custa até 40% menos do que em Paranaguá ou Porto Alegre.
Bico
Voltou a discussão sobre a viração de PMs com bicos agravada com a denúncia do Sindicato dos Vigilantes de que fazem esses serviços extras usando também o bem público (viaturas). Esse paralelismo é tolerado como uma cultura enraizada, mas não há monitoramento seguro daí porque as coisas podem degenerar. Na tragédia de Campo Bonito, em que houve a morte do líder sem-terra Teixeirinha, primeiro governo Requião, três PMs P-2, descaracterizados, foram linchados pelo MST. Tanto a corporação como a Justiça entenderam que os mortos não estavam em serviço e sim fazendo um bico para recuperar a máquina de um fazendeiro.
Muito difícil a fixação da fronteira do que pode ou não ser feito. Pode ser um dique contra a corrupção, mas também o embrião de milícias.





