O econômico e o social
  Numa palestra que fiz em Faxinal do Céu abordei a impropriedade da dicotomia entre ‘‘econômico’’ e
‘‘social’’. Se não houver interação equilibrada entre os dois fatores, o desenvolvimento retrai. Padre Lebret, que é um dos fundamentos da doutrina paranaense de desenvolvimento, insistia no refrão. Lembro que os seus seguidores da Sagmacs, Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais, que fez o primeiro plano científico de desenvolvimento em 1963, criava dois comitês secretariais: o de Mobilização Social que unia as pastas de Educação, Saúde, Segurança, Trabalho e Cultura e o de Mobilização Econômica juntando Banestado, Badep, secretaria da Fazenda e de Desenvolvimento Industrial.
  Recentemente Heron Arzua, deu uma entrevista na TV Record, em que trata do tema: ‘‘O que me espanta é o discurso dos defensores da educação como prioridade absoluta. Em Cuba todos foram educados, todos são engenheiros, médicos e até um vendedor de camiseta na rua tem doutorado em filosofia. Mas todos vivem em grande pobreza. E por que isso? Porque o País não tem uma economia consistente. Podemos ter um País onde todos são alfabetizados, todos são PhD, têm mestrado e doutorado, mas se não tivermos economia não vamos a lugar algum’’. Raciocinar não dói, conquanto seja impossível nos fanáticos.
  Outra coisa: só o ecomicismo não basta. O Brasil é um exemplo e dá péssima saída com o assistencialismo das ‘‘bolsas’’.

Herma
  Quem desequilibrou a eleição a favor de Requião foi Hermas Brandão pela ação dentro do PSDB,
a neutralização de Beto Richa no primeiro turno e todo o raio de sua influência e dos tucanos que o acompanharam na dissidência. Merece, como diria um trocadilhista, uma herma por essa façanha. Isso é hermenêutica.

Esquerda
  Ainda a respeito dessa abordagem ociosa dos que pretendem vetar Rafael Greca no secretariado por não ser de esquerda há um documento bem forte, o discurso dele de saudação à cidadania honorária de Brizola. Que é mais denso do que todo o currículo dos críticos em termos socialistas. Mais ainda aquela cena, como deputado estadual, na greve dos professores, governo de Alvaro Dias, exigindo que abrissem as portas da Assembléia Legislativa, que acabou invadida, por vários dias, pelos insurretos. Isso é mais relevante do que passeata e distribuição de volante, normalmente o máximo dos patrulheiros. E sobretudo de imaginário, o lado mais forte desse pessoal.

Folclore
  Um dos momentos gloriosos de Curitiba foi o da fase anticlerical e também a do positivismo. Emílio de Menezes, poeta parnasiano em transição discreta ao simbolismo, está na Praça Osório e um seguidor de Augusto Comte o aborda:
  - Mestre, vais ao apostolado?
  - Não. Vou para o lado oposto.

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