Inovação semiótica
  Uma coisa é o símbolo formal da cidade, da região ou do país. Esse é sempre permanente, embora sujeito a uma estrela a mais como se dá em nossa bandeira e na dos Esteites. Outra é a expressão do estilo provisório e conveniente das logomarcas como se dá aqui e que ganhou maior força, com jogadas sofisticadas de ‘‘marketing’’, a partir de Ney Braga e que se tornou mais arrojada com a esfera verde de Paulo Pimentel acrescida do slogam ‘‘Paraná, segundo estado do Brasil’’ ou ainda o teaser ‘‘Aqui se trabalha’’ que muitos viram como decalque do apelo do fascismo italiano ao tempo de Mussolini.
  Como temos um dos maiores artistas do ‘‘design’’ na figura do arquiteto Manoel Coelho, autor de vários desses símbolos, principalmente aquele das folhinhas verdes estilizadas que timbravam o Paraná e Curitiba, houve surpresa quando Beto Richa se recusou a manter a onda moderna e buscou o lado oposto ao dar preferência à referência heráldica da cidade. Se essa ruptura com o hábito significasse um impulso de inovação, acompanhado por uma nova estratégia, visão diferenciada do modelo e traduzido em intervenções claras, vá lá, mas no fundo o que se percebe é uma continuidade de um estilo, até aqui vitorioso, e que marca a identificação do público em geral com um modo de ver as coisas.
  Muito sugestivo e bem concebido o logotipo de Requião centrado na posição das estrelas na constelação ‘‘Cruzeiro do Sul’’ no dia em que o atual governador, e que se reelegeu, tomou posse. Pergunta-se se o símbolo muda porque Requião, este continua o mesmo e se acreditando perto das estrelas como sempre.

O que mais fixa?
  Puristas acham oportunista e diluidora a onda de mudar esses símbolos públicos já que aparecem, nas jogadas de marketing, com maior freqüência e por isso melhor se fixam no olhar do público, do que os brasões da heráldica.
  Tanto o primeiro quanto o segundo governo Lupion falavam em ‘‘Paraná Maior’’, o que de fato se ajustava à dinâmica interna com a saga da ocupação das terras roxas. Munhoz da Rocha se valeu de algo abstrato para marcar a sua atuação com ‘‘Dignificação da função pública’’ até porque tentava ser o antiparadigma do antecessor Moysés Lupion. Com Ney Braga o ‘‘Somos todos uma só força’’ era uma redundante explicação daqueles bonecos de mãos dadas feitos à tesourada, quase um decalque da logomarca paulista que traduzia a unidade (integração física e cultural) de trabalho em torno de uma colméia e que de fato deram um governo de favos de mel a São Paulo.

Identidade
  O brasão do Paraná foi mudado no governo Alvaro Dias: a posição da harpia, ave-tótem, ficou de frente e substituiu-se o lavrador pelo semeador. Como houve contestação no Judiciário os símbolos anteriores, quer dizer os tradicionais e de raiz, retornaram. Fala-se tanto que não temos identidade por causa da diversidade que nos caracteriza. É difícil de imaginá-la se não temos sequer a nossa definição heráldica aceita por todos.

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