Desforço incontinenti
  Ainda bem que os deputados, percebendo que a onda de indignação contra a alta dos subsídios tenderia a transformar-se em bola de neve, decidiram, e isso com rapidez, rever o ato desatinado. O ideal é que tivéssemos a democracia em tempo real: à cada iniciativa o repique imediato do público ou do grupo que viesse a ser prejudicado. Naquele episódio das convocações extras a reação não foi tão forte, embora assim mesmo tenha levado o parlamento à revisão.
  Em Direito há duas figuras assemelhadas: a legítima defesa, em matéria criminal, e o desforço incontinenti, a mesma coisa no Direito Civil. A reação em Curitiba se deu na solenidade de diplomação, com excessos reprováveis, mas na verdade foi uma versão nossa, tupiniquim, com ingredientes próprios, para a mobilização nacional, expressa em vários pontos do país.
  Isso é na prática o que o jurista Fábio Konder Comparato propõe com a sua doutrina do contrapoderes, sempre acionada quando qualquer um deles, seja o tripé representativo de Montesquieu ou outras instâncias como a do poder sindical ou econômico, exorbitasse. É a utopia da sociedade massiva pelo uso intensivo de meios tecnológicos como a internet para difundir o alerta.

Vai bem
  Não é a primeira vez que há confusão em solenidades de diplomação: numa delas o empresário Cecílio Rego Almeida reagiu a socos ao cerco de basistas e gente disposta a vaiar. Ninguém é a favor de reações que extrapolem os termos da lei e defendo a tese de que a indiferença a políticos no dia a dia já é mais eficiente, pedagogicamente, do que algo mais forte. É claro que uma vaia, e elas ocorreram no Guairão, é menos ofensiva do que um ataque a ovos. Menos agressivo ainda é o desdém que rima com vai bem e cai bem.

Dragagem
  É esperada para hoje nova autorização do IAP, Instituto Ambiental do Paraná, para a dragagem do porto de Paranaguá. A Capitania dos Portos colocou como uma condição insuperável, na garantia da segurança naval, a retomada do traçado original do Canal da Galheta em linha reta e rejeitando a hipótese de fazê-lo m ‘‘s’’ como se pretendia em função dos processos de assoreamento e também de desbarrancamento.

Folclore
  O Pedro Lauro, figura popular de nossa política, defendia e o fazia mostrando vidros com óleo a existência de petróleo em Marechal Mallet. Agora o Wallace, irmão do Requião governador, desenvolve um ensaio, bem escrito, abordando as referências históricas do petróleo no Paraná no número 4 da ‘‘Curitiba Cult’’. Relata, por exemplo, que um dos primeiros poços foi furado em Inácio Martins, sul do Paraná, e a perfuratriz transferida para a Bahia (Lobato) em 1938.

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