LUIZ GERALDO MAZZA
Instituições em transe
Integrantes da PIC pedem ao Conselho Superior do Ministério Público, em caráter de urgência, a constituição de uma força-tarefa para enfrentar as demandas decorrentes do caso dos grampos. Acusam o governo de montar a CPI a seu gosto, e fazer pressões, além da desarticulação do pessoal da PM, através sindicância do Comando Geral para apurar indícios de transgressão da disciplina militar nos milicianos que trabalhavam na PIC. Como Rasera acusou a PIC de tentar desestabilizar a reeleição de Requião, percebe-se que há uma operação em andamento para atingir o MP e em especial a PIC.
No primeiro governo Requião ele acuou o Poder Judiciário e os magistrados, de forma ingênua, fizeram greve e pediram o impeachment do governador. Dá para imaginar que desdobramentos essa crise institucional ainda terá.
Mais uma
Afora o rol de denúncias da Antaq sobre os portos do Paraná há agora outra: o custo das edificações recém-inauguradas bem mais elevado (R$ 17 mi) do que o que supostamente se despenderia com a dragagem da Galheta. O ministro do TC da União, Augusto Nardes, estava por lá ontem.
À venda
Surpreende a todos o número de placas de casas à venda em Guaratuba. A evasão se dá em direção a Santa Catarina quando o município-balneário poderia ser o dique para evitá-la pelo porte urbano e áreas de expansão.
Idéias
Se faltam idéias no governo, a revista Idéias provou que as tem com a mudança de formato adotada em seu número 56. Uma bela matéria sobre Ennio Marques Ferreira e sua contribuição às artes visuais é destaque, apesar da insinuação que se fez contra ele no filme sobre Miguel Bakum, de Sylvio Back.
Na Bahia
O caso dos grampos e a violência que representa como terror de Estado foi enfocado no discurso de abertura do encontro nacional de procuradores de justiça em Salvador, Bahia, pelo mestre Renê Dotti. O jurista propôs na defesa de uma procuradora que teve seu telefone grampeado que o juiz quebre o sigilo do processo na comarca de Campo Largo e se estabeleça o jogo da verdade, tal o envolvimento do aparato institucional na questão.
Folclore
Lourival Portela Natel fazia a Hora de Ângelus na Rádio Clube. Em tom religioso e voz pausada tocava a pregação que terminava com a expressão E seja mais este dia todo em louvor à Maria. Compenetrado e ungido, também emocionado, ia falando e o sonoplasta ao fundo com Ave Maria de Gounod ou de Schuber, conforme o fim de tarde, estava perto da catarse. Com um gesto fez um sinal para que o técnico baixasse o som e ele, também envolvido pela aura da prédica, entendeu que era para ajoelhar-se. E ajoelhou-se e quem se ajoelha reza, ainda que com um som lhe estourando os tímpanos e arrepios na espinha.





