O bom combate
  Como o governo usa de todos os meios para atingir o Ministério Público no caso Rasera, aos integrantes da PIC não havia outra alternativa se não a de recorrer ao Conselho Superior da corporação propondo uma força-tarefa para o enfrentamento das demandas decorrentes do processo. Nesse cabo-de-guerra não há espaço para a deserção em prejuízo das conquistas da Carta de 1988 que ampliaram o raio de autonomia da instituição.

Austeridade
  Requião declarou em Londrina que só aplicará R$ 5 milhões em publicidade. E todo mundo vai esquecer como aconteceu com aquela história da tentativa de um corretor de banco que queria aplicar o dinheiro da ParanaPrevidência (4,5 bi) em troca de comissão (8%). Ele faz as declarações e ninguém vai atrás. Até hoje essa história não foi apurada e detalhada. Como se dará com essa de agora se jornais sem circulação continuarem operando por obra e graça do governo.
  Uma austeridade igualitária seria, de fato, uma experiência gratificante até porque, assim mesmo, o poder continuaria sendo elogiado de graça. A vocação para a crítica é exceção, quase inexistente.

Quadros
  O governo atual fala da incompetência de antecessores e adversários: Alvaro Dias é apontado como o melhor do Senado e Gustavo Fruet o segundo da Câmara Federal, Jaime Lerner (outro dia figurou numa exposição em Chicago como um dos melhores arquitetos do mundo) entrega o plano de transporte do Rio e Taniguchi é convocado para o planejamento do Distrito Federal. E o outro time?

Glosa
  No TC um dos conselheiros pretende glosar uma fortuna dada a um jornal por não ter o mínimo de obediência à mídia técnica. Se a moda pegar...

Fraterna
  Quando uma mulher da Região Metropolitana perdeu as filhas num incêndio porque a energia havia sido cortada por falta de pagamento e teve que valer-se de velas também ninguém lembrou do ‘‘Luz Fraterna’’. Nossa memória é cada vez mais seletiva e a freqüência do ‘‘marketing’’ aterradora.

Folclore
  Nos tempos do civismo à força do Estado Novo (só em setembro havia o dia da Raça, 4, e o da Independência, 7) a banda do Ginásio Paranaense diante do palanque oficial na rua Luis Xavier disparou a tocar a ‘‘conga’’, ritmo do Caribe e a rapaziada toda, até por instinto, pôs-se a dar os passos regulares. Editorial de jornal da praça atacou os estudantes e esses saíram do Ginásio com a disposição de ‘‘empastelar’’ o diário. De dentro de um carro conversível o diretor, Francisco Ribeiro, fazia discursos, usando frases em latim para conter os alunos e prometendo, com seu olhar duro, severa punição. E segurou. Latim é um santo remédio e dureza (e respeito pelo mestre) mais ainda.

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