Os estamentos
  Quando um estamento entra em baixa - e é o que ocorre com o Ministério da Defesa na questão do colapso aéreo - o órgão perde consistência, em que pese a relevância de sua expressão administrativa. São estamentos no caso do governo estadual, a Copel, e no da Prefeitura da Capital, o IPPUC.
  Há uma queixa generalizada de que estatais como a Petrobras seriam algo como um Estado dentro do Estado e fora de controles, posto que essa empresa, por ter ações em bolsa, sofrer limitações. Pode-se dizer o mesmo da Copel, hoje com 69% do seu capital social em mãos privadas.

Os controles
  Essas estatais, além de estarem mais fortes do que o aparato público que as abriga, não sofreriam controle social, a não ser o já referido do mercado. As quebras de contratos como as da UEG Araucária e absorções como a das ações da Triunfo na Usina de Santa Clara (teriam representado um ágio superior a 120%) acabam tendo reflexos na imagem da Copel e com resultados econômicos. Quando o governador, numa reunião da
‘‘escolinha’’, afirmou que a barragem de Salto Caxias poderia romper num tom apocalíptico deu mostras de como é tradição e um erro o governo se meter num estamento sem previamente consultá-lo.

Patrulheirismo
  No governo Richa, o mais democrático de todos do PMDB, houve sortidas de ‘‘patrulheiros’’ na Copel e tivemos várias demissões que redundaram em indenizações milionárias para a empresa que se viu obrigada a acolher afastados entre os que sobreviveram, é claro. A pretensão da majestade estatal foi também testada quando da licitação de Segredo (desvio do canal), na qual a CR Almeida ficou em último e quarto lugar e levou na Justiça federal.

Analogia impossível
  É impossível hoje imaginar o clima originário da empresa dos tempos de Parigot de Souza que tinha inteiro domínio, por sua expressão técnica e política, liderança centrada em conhecimento, e restabelecê-lo. Ney Braga, com toda a sua autoridade, não ousava meter-se na Copel. Na medida em que também escasseiam fontes de geração (restam as do Tibagi e do Piquiri) e o fato de a empresa ter dado pouco respaldo a outros energéticos (um dos poucos é da experiência em Palmas com fator eólico, o do carvão de Figueira perdeu espaço) e também a tentativa de privatizá-la, conforme o modelo nacional, influíram negativamente na corporação. E agora a questão do aproveitamento do Tibagi e a contestação política já lançada revelam que ela perdeu expressão e respeito.

Uma fábula
  A política penetrou a Copel e isso desde aquela fase boa como linha de montagem de quadros secretariais, como se viu no segundo governo Ney Braga, quando até o secretário da Fazenda, Edson Neves Guimarães, um dos melhores que já tivemos, era um copeliano. No governo Richa houve um cerco em torno dos padrões da empresa como o do posteamento em concreto que se pretendia, para uma baixa de custos, substituir por madeira tratada. Fornecedores, para não perderem a escala dos seus negócios, baixaram os preços. Estava permeável. Uma vitória dos políticos, uma derrota da tecnocracia.

mockup