LUIZ GERALDO MAZZA
Estouro da boiada
Dia 8 será o 47º aniversário da Guerra do Pente, de quem tratei domingo. A coincidência é que tivemos em Itaperuçu manifestação, conservada a escala da cidade, muito semelhante. Na rebelião popular de 1959 na Capital e que a sitiou por três dias o mesmo fundamento: a ira da massa. Naquela a paz só voltou com a intervenção do Exército, na de Itaperuçu porque não havia mais o que quebrar. O maior problema do Paraná e que pega municípios ricos e pobres é o da violência e da falha estrutural e doutrinária da Segurança. Em seguida tivemos a morte de outra menina em Araucária em tiroteio de gangues juvenis.
Mauá
De um lado os indigenistas e ecologistas, de outro os empresários em luta, uns com apoio da Copel, outros com ligação orgânica com o governo. É de concluir-se que nessa Usina de Mauá algum mau há. Ou será que nessa fábula só há Chapeuzinho Vermelho e nenhum Lobo Mau?
Indício
O coordenador da PIC diz, na CPI, que há indícios de quem seja o mandante de Rasera. É como um diálogo de mudos: faz-se a sugestão, cria-se o suspense, tudo fica, porém, condenado ao silêncio. De repente, cresce a lista dos interessados em que nada, absolutamente nada, seja revelado. E obviamente isso acaba se impondo como se todos fossem inocentes e culpados ao mesmo tempo.
Segredo
É segredo demais para quatro paredes a história dos grampos. Pode-se dizer, biblicamente, que muitos serão os grampeados e poucos os ouvidos.
Folclore
Em competitividade o país caiu muito, quase na série B. Mas em corrupção, hegemonia do crime organizado, violência, invasão de terras e assistencialismo (bolsas disso e daquilo) somos fora de concurso.
Isonomias
O teto de R$ 24,5 mil para os promotores estaduais é decisão apertada (7 a 5) do Conselho Nacional do Ministério Público. Procurador Geral da República vai contestar, mas essa história é antiga: carreiras jurídicas da hierarquia média e inferior foram beneficiadas expressamente pela Constituição de 1988 com o tratamento isonômico, o que provocaria agora reação em cadeia, e até hoje geram máxima confusão no âmbito judicial. O MP daqui esteve ameaçado de atrasar vencimentos e 13º por ter burlado a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Vôo
Mestre Romeu Bacelar fez palestra na Universidade Federal de Fortaleza e ficou preso no aeroporto, ontem, por mais de cinco horas. Como fazer o direito (o de ir e vir, o de acertar compromissos) funcionar num país que não sabe controlar o tráfego aéreo? Isso não é uma episteme fenomenológica, mas a realidade. Faz-me lembrar do Ernani Reichmann, maior especialista em Kierkgard, dizendo que os homens se obstinam em descolorir a realidade para torná-la jurídica. Era advogado e economista, mas bem mais filósofo.





