Um teste permanente
  Governantes como Roberto Requião têm um lado positivo: desafio permanente às pessoas e instituições, o autoritarismo testa o regime e o cidadão. É o que tem ocorrido ao longo de sua trajetória e se torna nítido agora com as ações retaliatórias contra o Ministério Público e, em especial, a PIC, Promotoria de Investigação Criminal, em particular.
  No primeiro governo ele acuou o Judiciário e seus integrantes (juízes do Alçada e da instância inferior) erradamente, e com apoio irresponsável da OAB local, fizeram uma greve. Os magistrados ainda pediram ingenuamente o ‘‘impeachment’’ do governador e se deram mal. Se a reação no caso foi inadequada, a da PIC, agora, deve ser exemplar cumprindo até o fim o seu papel, sabendo que corre riscos por eventuais desvios.
  Como diz Chesterton, viver é responder desafios.

Aristocracia
  Nomear parentes, agregados, fâmulos é a restauração da monarquia, o que não deixa de ter um sentido romântico, de aberto inconformismo com a realidade.

Acomodação
  Uns querem aumento (Judiciário e parlamentares, funcionários), outros o reajuste para pagar menos imposto de renda. Omelete sem quebrar ovos.

Pleonasmo
  Um ouvidor usando grampos telefônicos é pleonasmo, pura redundância.

Ridículo
  A missão do Legislativo estadual, como se viu na CPI (grampos), é a submissão, ou melhor, a sub missão. É o nanismo reverencial.

Folclore
  O patologista Atis Quadros Silva fazia uma caricatura corrosiva da cultura polivalente do mestre e cirurgião Mário de Abreu: ‘‘só porque ele opera um estômago magistralmente não significa que possa escalar o time do Água Verde’’. Dezenas de vezes vi o mestre cercado de médicos que o seguiam bebendo com unção as suas palavras à maneira dos sábios gregos na Boca Maldita.

Paradoxo
  Ninguém fala com tanta propriedade sobre reforma agrária como o latifundiário. É só contar e ver.

Sepulcro caiado
  Será que os miasmas do Congresso e do Executivo são neutralizados pelas essências do Boticário? Nem os do rio Belém e dos bueiros de Curitiba.

Pente
  Ontem no Centro de Letras e amanhã na Biblioteca Pública reflexão sobre a ‘‘Guerra do Pente’’ de 1959 que sitiou Curitiba por três dias: no dia 30 há projeção do filme sobre a rebelião popular do Nivaldo (Palito) Borges na Biblioteca Pública, às 17 horas, seguida de debate, do qual participará o ex-reitor da UFPr, Carlos Roberto Antunes, o Motorzinho.

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