Deserto de idéias
  O PMDB regional, postando-se à margem da pressão por espaços federais, coloca a tese de que o seu comportamento visará o interesse nacional. Há, por acaso, alguma idéia, algum programa, se não o tem regionalmente, como o demonstra em sua trajetória, que possa servir de contraponto ao fisiologismo explícito nessa aliança com Lula?
  Como tal não existe, há uma forma de colocar tal questão por via oblíqua: o nosso governador seria candidato presidencial e naturalmente reciclaria seus discursos anteriores perseguindo a meta. Como um postulante precisa de uma apresentação - e suas passagens, duas vezes, pelo governo não o credenciariam como um fato novo e que o país tanto carece e muito menos os resultados obtidos em três eleições de segundo turno como densidade política- esse projeto seria a bandeira e que se justificaria por si.
  Dessa última eleição e também ontem das palavras de Giovani Gionédis, de Gigi transformado na Geni do Chico Buarque da crise coxa, pode-se dizer o seguinte: houve no pleito e na entrevista coisas novas e verdadeiras; só que as novas não eram verdadeiras e as verdadeiras não eram novas.

Fisiologismo
  Primeiro no MDB e depois, por algum tempo, no PMDB havia um divisor de águas entre ‘‘autênticos’’ e ‘‘fisiológicos’’. Hoje a maioria esmagadora é de ser classificada como ‘‘autenticamente fisiológica’’.

Paranismo
  Paranismo, como disse Dalton Trevisan, parafraseando máxima do patriotismo, é o refúgio do último idiota. Já houve momentos em que se chegou a pensar em licitações ‘‘dirigidas’’ para beneficiar empresários paranaenses, quase um decalque das cotas universitárias aplicado ao regime do Direito Público. Se não se deve ajudá-las por respeito à democracia e à isonomia não fica bem prejudicá-las, como se pretende com o caso da usina de Mauá por obra e graça de peemedebistas em cima da Copel. Quanto mais o governo se mete na Copel, ela piora. Vide o fundo de pensão e casos como o da UEG Araucária e o do negócio com a Triunfo na usina de Santa Clara.

Crise criativa
  Quem sabe agora, depois da má vontade do governo com a PIC, o pessoal do Ministério Público, resistente à autonomia, e que não é pequeno em número pela insistência em pretender-se anexado ao Executivo, acabe se ‘‘ligando’’. É o único aspecto positivo da crise- o de obrigar a pensar, a refletir.

A falta
  Como fez falta um ‘‘araponga’’ para se saber, em primeira mão, o que o MP, Ministério Público, afinal, decidiu em sua reunião de ontem!

Folclore
  Tranqüilo é aquele deputado que conversa normalmente com o seu araponga. Ele e o outro obviamente existem e surpreendem porque não conflitam. Ser ‘‘grampeado’’, pelo jeito, vicia e condiciona.

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