LUIZ GERALDO MAZZA
Uma idéia, por favor
O Paraná está perdendo posição em termos nacionais. A teoria conspiratória não pode atribuir ao IBGE e a Fundação Getúlio Vargas uma ação orquestrada para mostrar a obviedade do nosso
declínio nos indicadores relativos a 2004 e como se desconfia que no ano passado e neste a situação se agravou em função da variação cambial, da estiagem e do bloqueio às carnes em função da febre aftosa e da gripe aviária. É hora de pensar, raciocinar.
Recentemente o Valor Econômico se referiu à perda de referência das ações da Copel em 5,7 pontos desde 28 de outubro, atribuído ao peso das decisões do governo estadual, embora 69% do seu capital social pertença a investidores privados. De um modo geral a Cemig, a estatal mineira, sempre teve as suas ações em melhor cotação e jamais houve reflexão sobre o tema.
O Amazonas com o desempenho de 11,5% de sua economia tomou a sexta posição em renda per capita do Paraná: R$ 11.434 contra R$ 10.725. Obviamente que o fato de a população ser menor favorece. Rio Grande do Sul e Santa Catarina aparecem em quarto e quinto. Se essa analogia não é suficiente para ligar o alarme é porque caminhamos para o embotamento.
No governo Lerner, por força do mesmo pecado, o triunfalismo, dizia-se que superaríamos os gaúchos em renda interna animados com o desempenho tanto do agronegócio quanto da chegada das montadoras, o que não aconteceu.
Precisamos de uma idéia em cima desses fatos. Uma só já servia. Factóides não bastam e ufanismo demais tira a autocrítica e gera o conformismo.
São Paulo
Houve um tempo que se dizia que São Paulo não podia parar e se isso hoje tem sentido com o time de futebol, o melhor do Brasil, já não prevalece no quadro federativo. No PIB nacional o sudeste, área mais industrializada do país, perdeu peso com a queda paulista de 31,8% para 30,9 em 2004.
Maior per capita é do Distrito Federal com R$ 19.071, seguido do fluminense com R$ 14.639 e do paulista com R$ 13.725. É a desconcentração da economia, a expansão das fronteiras agrícolas (nordeste e centro oeste) e a guerra fiscal promovendo a migração industrial.
Até por causa dessas revelações estatísticas é importante acompanhar o nosso desenvolvimento em números e não em discurseira como a do Lerner que dizia ter criado 900 mil empregos.
Folclore
A autofagia no Paraná, visível na infantilidade da briga Requião-Beto Richa, é um velho tema da sociografia. O Joffre Cabral Silva citava sempre argumento de heráldica parta comprová-lo. Dizia que o homem que aparece com uma sega nos símbolos é um cara pronto para cortar a cabeça do primeiro que queira aparecer.





