Um deserto de idéias
  A hipótese do lançamento da candidatura presidencial de Requião, apesar do seu pífio desempenho eleitoral, incomparável com o de seus colegas de PMDB, ao menos rompe a inércia de um governo, pobre de realizações e sem qualquer idéia que não seja a de desconstruir. Lerner, seu antecessor, ao menos tinha um projeto e alguma estratégia. Pode-se até condená-la, como a dos Anéis da Integração, pelo alto custo do pedágio, mas seguia uma perspectiva logística, como também as Vilas Rurais voltada aos bóias-frias e o desenvolvimento industrial de vanguarda com a chegada das montadoras. Tudo é discutível, todavia se percebia um horizonte a alcançar, a derrubada da condição de economia de complementaridade à de São Paulo.
  É por aí que se capta a pobreza da recente campanha eleitoral: nada de novo e substancial, além do varejo emergencial. O que mostra que os ‘‘teasers’’ dos marqueteiros valem mais do que projetos ou de uma idéia-força. E o de Requião deste governo é bastante pretensioso com uma logomarca, esteticamente muito bem trabalhada, que mostrava a posição das estrelas na constelação do Cruzeiro do Sul no dia da posse, um compromisso inscrito no espaço, além das nuvens.
  De qualquer forma o projeto presidencial é bom para tirar o Paraná da sua permanente baixa expressão em nível nacional e que não muda quando emplacamos ministros e postos de primeiro e segundo escalões.

Direito alternativo
  A malha jurídico-institucional é desprezada por um ‘‘direito’’ alternativo que se opõe à ordem: visível no maior nível de organização do PCC e do Comando Vermelho do que a polícia judiciária, a quem cabe a sanção e o poder único de intervenção, monopólio de Estado. Movimentos sociais, que se recusam ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, e por isso se tornam ilegais, como o MST e o MLST (aquele da invasão e depredação da Câmara Federal) que contam com subsídios oficiais deveriam se formalizar com o que pagariam por excessos. O tema nem de longe é tratado no encontro dos magistrados e é mais relevante, por sua carga de ceticismo e niilismo, do que os abrangidos pela pesquisa e sólido fundamento para a impunidade e a perplexidade do Judiciário.

Nepotismo
  Vários estados foram premiados, pela ação do Judiciário, por adotarem medidas contra o nepotismo. O Paraná ficou de fora até porque houve alguma resistência, mais tarde removida por decisão superior, embora menor do que a do Executivo.

Seqüelas
  Quando a El Paso foi à instância arbitral de Paris por causa da UEG Araucária o fato obviamente teve repercussão internacional, da mesma forma quando a BBC de Londres se referiu ao problema da Vivendi na Sanepar. Agora teremos o da Syngenta, cujos diretores da Suíça chegam no fim desta semana para ver como uma empresa com 20 anos de Brasil foi desapropriada.
  O Brasil, e o Paraná, não foge à regra, não tem poupança interna e depende da externa, investimentos, vale dizer. Assim não é possível.

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