LUIZ GERALDO MAZZA
Arquitetura do caos
Dá para imaginar o presidente Lula rescindindo um contrato ou desapropriando terras da multinacional Syngenta como o nosso governador buscou fazer em favor da Via Campesina, em área novamente invadida, apesar de ordem judicial para desocupá-la? O Judiciário, não reagindo contra, pois se trata de ir além do descumprimento de uma decisão já firmada, estimula a desordem e o caos.
Se os invasores persistirem na fazenda e o governo não removê-los, eis que pretende, conforme o decreto expropriatório, ali instalar um centro de pesquisas da agricultura familiar, fomentará novas ações do MST e aliados.
Há um outro aspecto: embora o direito de desapropriar seja do governo como incide sobre área com litígio e julgamento o ato pode ser tido como obstrução ao livre funcionamento dos poderes de Estado.
Mais um complicador: o tal decreto expropriatório tinha data de 30 de outubro quando Requião estava licenciado e nem poderia assiná-lo. Aí tem.
Competição
A sucessão municipal é visível nas colunas sociais: depois de um descanso, Jorge Samek ameaça a hegemonia de Beto Richa. O PC poderia ser, além daquele Paulo César do Collor, o Partido Colunista. Socialismo socialite pra valer.
Sinistra
Para o que chamam de esquerda no Brasil e no Paraná fica melhor sinistra em seu sentido nacional e não no italiano.
A mesa
Quem está na mesa é que dita as cartas da eleição no Legislativo, mas não pode ser subestimado o Bibinho, Abib Miguel, diretor vitalício da Casa. Ele está lá há mais tempo do que todos os reeleitos e de todos os tempos.
O desgaste
Desgaste forte para o prefeito de Curitiba será no momento do inevitável reajuste das tarifas dos ônibus. Essa é maldição programada. Se for pela via do subsídio a prefeitura deverá botar R$ 4 milhões por mês no sistema.
Folclore
Na greve dos funcionários em Londrina a impressão que se tem é que as várias instituições públicas da prefeitura à justiça estão catatônicas e a cidade inteira é prejudicada em cima de rituais formalísticos que desrespeitam o direito da maioria aos serviços públicos, pelos quais paga tributos, em favor da minoria organizada e radical.
Moda
Se a moda de desapropriar para resolver conflitos delimitados for mantida, o Paraná se transformará, em pouco tempo, graças ao governo estadual, numa terra de ninguém. Quanto ao caso da Syngenta há ainda, afora pos seus direitos, a seqüela que inibirá ainda mais investimentos externos no Paraná.





