LUIZ GERALDO MAZZA
Pauta para Dilma
Como a ministra Dilma Roussef vem aí para ouvir as reivindicações do Paraná é preciso agudo senso de prioridade e síntese em listá-las. Só em precatórios temos dois casos cabeludos: o anterior da ferrovia Ponta Grossa-Apucarana da CR Almeida (construímos uma estrada que mal pagamos e que a União utilizou) e o mais recente dos títulos podres que ameaçam ações da Copel dadas em garantia ao Banco Itaú. Problemas da Copel como os decorrentes da UEG Araucária e ainda os relativos à exploração do Rio Tibagi (Mauá); a questão do Cais Oeste em Paranaguá, que era para estar pronto, é outra necessidade. Temos, ainda, a questão logística da localização dos poços de petróleo na Bacia de Santos.
Conforme o clima dá para emplacar outras como a federalização de unidades da universidade estadual, em que levamos um banho de gaúchos e mineiros.
Boas de volta
Se Osmar e Alvaro Dias fizerem no Senado o que Requião e Osmar aprontaram para Lerner haveria pecado mortal? Se contassem ainda com Flávio Arns seriam olhados como antiparanistas dos mais radicais.
Universidade
O Reitor da Universidade Federal pretende criar curso de formação política e de gestão pública. Indispensável aulas de criminalística.
Contra a maré
Pouco antes da eleição esteve nos portos uma auditoria do Tribunal de Contas da União para ver o nível de desestatização, regra imposta pela Lei 8630, a de modernização dos terminais. Pois no primeiro encontro com Lula, o governador pediu a derrubada do dispositivo que impede os portos de fazerem dragagem. É a Dragopar em gestação, mais um dragão burocrático e empregador.
Grampos
Até agora nenhum partido indicou membros para a CPI dos grampos. Prova de que estavam apressados apenas em relação à eleição, tanto um lado quanto outro, um para apurar e outro para abafar. O personagem central, o Rasera, está sendo de uma lealdade excepcional ao governador, apesar dos constrangimentos que vem enfrentando. Chega a negar relação de amizade, quando se sabe que se dá justo o contrário: quando operou no caso da Banestado Leasing abastecia o senador de informes privilegiados, embora estivesse a serviço do governo Lerner.
Folclore
Em 1966, Renè Dotti, ora comemorando seus 45 anos de advocacia, está no seu escritório atendendo um oficial das Forças Armadas em trajes civis e tratando de matéria de Direito de Família. Aí irrompe na sala um dos muitos subversivos (dentre os quais me encontrava) celebrando alegremente vitórias judiciais contra os interesses dos milicos: Dr. Renè, parabéns, estamos surrando, pouco a pouco, a gorilada. Como Renè, antes de advogado, era um ator teatral, e dos bons, dá para imaginar a dissimulação. Quanto maior o aperto, melhor a frieza e o distanciamento brechtiano da situação.





