LUIZ GERALDO MAZZA
O lado criativo
Há um aspecto positivo na vitória de Requião: o de que terá mais tempo, posto que restrito ao quadriênio, para expiar suas culpas, reconhecer e até corrigir seus erros quando o arrependimento ainda puder ser eficaz. Algumas dessas providências ficaram a meio caminho, como o caso da UEG de Araucária, que já deu um furo próximo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, amarrada pelas rupturas contratuais e ameaçada de operação antieconômica e outras, a maioria delas, subjudice como a questão das ações da Copel que podem passar ao domínio definitivo do Banco Itaú por causa dos títulos podres.
Se Requião perde, poderia, pela sanha dos vencedores, ser pior ao Paraná, já que tentariam responsabilizá-lo pelo passivo jurídico a curto prazo, o que seria péssimo para todos. Não há governo que não deixe débitos, não poucas vezes ditados por imprudências. Alvaro Dias, por exemplo, fez uma guerra contra a CR Almeida por causa da segunda etapa de Segredo, e o Estado se viu obrigado a pagar, em acordo extrajudicial para diminuir ônus, nada menos de R$ 190 milhões na gestão Lerner. O próprio Requião, no primeiro governo, tentou o possível para evitar o despejo dos sem-terra na Fazenda Can-Can e pressionado por uma intervenção federal se viu obrigado a fazê-lo, ficando, porém, o direito à indenização do proprietário em fato debitado a gestões anteriores.
Há os precatórios, que não poderão ser empurrados com a barriga, embora o Paraná deva, no caso da ferrovia Ponta Grossa-Apucarana, ser indenizado, já que se tratava do ramal mais rentável da Rede Ferroviária, usado pela União.
União com Lula
Importante não só a audiência com o presidente Lula como os esforços para unir PMDB e PT. Até hoje quem tem impedido uma ação drástica em relação ao Porto de Paranaguá tem sido o governo federal. E também a Petrobras, que assimilou prejuízos por causa da UEG Araucária e favoreceu a Copel.
Quando Requião dizia que Lula pouco fazia pelo Paraná, o PT respondeu com documentos o peso dos seus investimentos que chegavam a cerca de 50% dos atribuídos ao governo estadual. Ninguém deseja a volta disso, mas a união, bem conveniente, convenhamos, aos dois lados.
Lencinhos
A maioria de vereadores curitibanos, que apoiou Osmar Dias, recebeu, na base da gozação, caixas de lencinhos para enxugar as lágrimas. O que é sutileza dependendo de quem a encaminha. Como se trata de Valdenir Dias, é grosseria. É impossível imaginar delicadeza do vereador basista. Nem com perfume francês.
Folclore
Quando há governo reeleito, como está se dando no Paraná pela segunda vez, há toda a expectativa do que fazer com amigos e adversários. O mais hábil até hoje foi Ney Braga: como Lupion nomeava gente demais ao assumir ele deu um corte de 5 mil servidores. Como havia mais de 15 mil na possível degola foi olhado como generoso. Seguia uma dica do Maquiavel: o mal se faz de uma vez, o bem aos poucos. E ele ainda readmitiu, gradualmente, parte dos demitidos com o que adotou a segunda parte da lição do florentino. E ganhou os inimigos.





