LUIZ GERALDO MAZZA
A esfinge curitibana
O Partido dos Trabalhadores acredita no patrimônio eleitoral representado por Gleisi Hoffmann, cuja maior credencial está na novidade, uma executiva mulher. Como aliás acreditou antes em Ângelo Vanhoni que por duas vezes quase levou e por isso garantiu fundamentos para sua eleição como deputado federal.
O grupo que está ainda no poder é o mesmo que deu à cidade a expressão nacional e internacional e isso vem de muito tempo e passa por experiências anteriores ao lernismo como a de Ivo Arzua que adotou novo Plano Diretor. Dessa seqüência que vem desde Ney Braga só houve ruptura, logo de cara, com Iberê de Mattos e mais tarde, na redemocratização, com Fruet e Requião. Há a convergência em torno de um estilo e de uma concepção filosófica e política, vacinada contra o baixo populismo.
Gleisi Hoffmann tem pré-condições para alinhar-se ao estilo, mas seu histórico é muito recente e se alinhar-se ao predatismo de setores do PMDB não terá sucesso. Há ainda na interpretação do feito eleitoral a subestimação do voto contra quem polarizava a disputa e que ganhava conteúdo com a sua condição de mulher e de novidade. Aplica-se o mesmo e com desvantagem a Jorge Miguel Sameck que não demonstrou essa bola toda como coordenador da campanha derrotada de Lula no Paraná.
Como a escassez de quadros é visível e não se enxerga, a médio prazo, alguém do PMDB que possa desempenhar o papel de candidato com chances de vitória, acaba se impondo a possibilidade de reeleição de Beto Richa, posto que seja notória a sua falta de punch em mostrar-se à altura do ciclo virtuoso das administrações municipais.
A esfinge curitibana, repito-o, decifra quem tenta devorá-la.
Reprise em Londrina
A gestão de Nedson Micheleti ajudou a asfixiar Lula em Londrina e ameaça facilitar a volta do populismo em Belinati ou Barbosa Neto. Quando a cidade derrotou Belinati, um mito e não apenas nos Cinco Conjuntos, esperava-se a retomada da boa tradição que vem de Milton Menezes, Hugo Cabral, Hosken de Novaes, José Richa.
Enquanto em Curitiba o estilo dominante foi mantido, em Londrina houve recuo e o prefeito do PT não soube ou não pode sinalizar essa retomada que ele tinha todas as condições de empreender. O sexto sentido da cidadania operou em cima dessa esperança, captando, porém, que a segunda gestão, por uma série de fatores, é pior do que a primeira e tende a manter-se assim até o fim, apesar de seus aliados vitoriosos no governo estadual e federal.
Planejamento
Se for feita uma análise criteriosa dos resultados eleitorais no Paraná, e que conte com a indispensável avaliação do aparato tecno-burocrático, um setor vai ganhar destaque: o da coordenação e planejamento. Só ele poderá fixar rumos menos vagos e dispersos à ação pública e que não decorra somente de teasers e slogans do marketing promocional. E precisará vir apoiado em doutrina e quadros para isso existem no Ipardes e até menos nas dependências mais próximas do governador no Palácio Iguaçu.





