LUIZ GERALDO MAZZA
'Showletiva' nunca mais
Desse lamentável episódio da coletiva de Requião no Palácio Iguaçu fica demonstrado que é inaceitável uma conferência de imprensa com claque. Se na ''escolinha'' já é constrangedor, imagine-se numa coletiva. E vamos deixar claro que neste ano, durante a campanha eleitoral, tivemos duas coletivas, uma do governador e outra do prefeito da Capital, ambas com ensurdecedora claque.
A claque é intimidação, porque os áulicos se acham no direito de aplaudir, de vaiar os entrevistadores e, de repente, de agredir fisicamente. Jornalistas deveriam boicotar essa forma explícita e fascista de terror. Civilidade já!
Aritmética
Requião acha que a pesquisa confirma o resultado da eleição e não o contrário ao estranhar que a boca-de-urna do Ibope nem se aproximasse do resultado. Da mesma forma os 75% de credibilidade em seu governo não foram confirmados. Se somarmos os votos na oposição com nulos e brancos a aversão passaria de 60%.
Omissão
Presidente do sindicato e associação dos proprietários de revistas e jornais, Abdo Aref Kudri, não se manifestou nas primeiras 24 horas sobre as agressões do governador aos meios de comunicação. Era caso de desforço incontinenti.
Sub judice
Uma corrente no PSDB, que deseja fugir da pecha de golpista, acha que se deve com o material recolhido sobre infrações eleitorais, no máximo, deixar Requião como sub judice, como aconteceu em 1990. Os crimes não são ''cabeludos'' - como a distribuição de cestas básicas em Fazenda Rio Grande ou o caso do flagrante de diretores de escolas fazendo proselitismo em Ivaiporã - mas podem incomodar.
Infantil
Resposta do prefeito Beto Richa à afirmação de Requião de que teria que tratar com o Palácio Iguaçu, via Doático Santos, foi tão precipitada quanto o destampatório do governador. Relações são republicanas e dispensam mediadores. Baixando a poeira - as decepções mútuas de um que chegou lá de raspão e outro que nadou e morreu na praia - haverá condições de diálogo. Eletricidade demais.
Folclore
Embora apoiada por Lula, Roseana Sarney perdeu a eleição no Maranhão. A maior afinidade dos petistas, por tradição, era com Jackson Lago, uma expressão de sempre da esquerda. Aqui a identificação maior era entre Requião e Lula do que com Geraldo Alckmin. A não-eleição de Rafael Greca tem um jeito dessa cobrança de afinidades: só nesses últimos anos passou para o lado que sempre combateu.
Ações
Ações da Copel valem como as da Cemig? Só para reflexão, sem provocar.
Juízo pesado
Da principal cidade petista do Paraná, Londrina, a maior derrota de Lula: 73,21% para Alckmin e 26,79% para o presidente. No Paraná: 71,71% para Osmar, 28,29% de Requião. Lá o PT está agora tatuado e não é por causa da greve.
Jacarezinho também tem petista na prefeitura e lá Lula e Requião venceram com 57,33% e 59,24%. É difícil justificar o vexame do segundo colégio eleitoral.





