Fidelidade partidária

Em eleições como as que teremos em segundo turno, tanto a presidencial quanto as regionais, não há como fazer cobranças rígidas sobre fidelidade partidária, o hímem complacente da virgindade política. O processo é tão dinâmico que dissolve artifícios como o da coligação PMDB-PSDB com rapidez assustadora e também revela que ligações de famílias se sobrepõem a tudo como no caso da Roseana Sarney, do PFL, apoiando Lula com o pai, do PMDB, senador do Amapá.
Autenticidade não pode ser questionada em Requião. Ao contrário de Alvaro e Osmar, de Affonso Camargo e Reinhold Stephanes, de Lerner e Taniguchi, ele permaneceu no PMDB, mesmo sob ameaça e hostilidade, quando chegou a ser expulso pelo Diretório Nacional. Em matéria de personalismo, aí um defeito, ganha de todos que se mostram mais capazes para o sentido clânico e grupal.
Hermas Brandão é PSDB, autor de articulação fracassada, hoje notoriamente a minoria do partido, ainda mais com a adesão de Beto Richa, todavia com todo o direito de dar sequência ao que iniciou. E ninguém poderá cobrar fidelidade, especialmente quando as pesquisas indicarem tendências que podem determinar evasão em massa de áulicos, aduladores e companheiros de verdade.


PCC

O secretário de Segurança Delazari considera um factóide a questão da presença do PCC entre nós. Se a frouxidão institucional persistir, o PCC, em pouco tempo, terá o dom da ubiquidade, da onipresença. Como o promotor de São Paulo, Roberto Porto, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado, explicou nos ataques em sequência em São Paulo havia um quase equilíbrio entre as forças do PCC (28 mil) e as do governo (35 mil).
Fatores geográficos e até institucionais-logísticos, como a existência do presídio de segurança máxima em Catanduvas, o justificariam.


Ambientalismo

O primeiro governo Requião foi muito elogiado pelo manejo das microbacias em todo o território estadual, recuperando a qualidade da água e agindo com rigor na agricultura em curva de nível e contra a erosão do solo. Quem tocava essa operação era o secretário da Agricultura, Osmar Dias.



Rasera

No encontro com prefeitos em Santa Felicidade Requião defendeu o investigador Rasera e sugeriu que a mídia (Globo) exagerou na questão das armas apreendidas como se fosse um arsenal do PCC. Trouxe de novo a arapongagem ao debate. Ainda antecipando o caso PCC que ninguém deseja como aliado no cardápio eleitoral.


Folclore

O jornalista Celso Nascimento relatou algo inusitado: no Senado Osmar Dias dá um pau no pedágio e em Lerner e o seu colega, Requião, o contesta referindo-se ao fato de que contratos devem ser respeitados. Depois quando Requião enfrenta Lerner este faz um corte linear de 50% no pedágio, desrespeitando o contrato, e ganha a eleição. Agora Requião afirma que não há direito adquirido contra o interesse público. O que sustenta o vigor da política é a amnésia da maioria.


Paradoxo

Lula, depois de tudo o que aconteceu com a sua turma, querer um debate sobre ética é o mesmo que Stalin aparecer como defensor dos direitos humanos. Ou até o próprio Bush.

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