Segunda época

Felizmente deu segundo turno, tanto no nacional quanto no regional. Chance para uma purgação geral de culpas e uma recuperação no enfoque dos temas de hoje e amanhã. A pequena diferença pró-Requião, menos de 4% em Curitiba, e o massacre sofrido nos principais colégios eleitorais (57% em Londrina, 47% em Maringá, 45% em Ponta Grossa, 55% em Foz, 46% em Cascavel, 55% em Guarapuava, 49% em Paranaguá), são indicadores contra o situacionismo.
Urge que os polarizadores, Requião e Osmar, evitem soberba, pois um pouco de humildade não lhes fará nenhum mal. Requião venceu sempre na segunda época.


Episteme
Será esquerda unir o interesse da Bolsa de Valores aos da Bolsa Família?


Amarelo
Cartão amarelo para Alvaro Dias, vermelho para Greca e Stica.


Silêncio
O silêncio obsequioso de Requião se repetiu. No pleito passado ficou hibernado até metabolizar sua derrota parcial para Alvaro Dias. Às vezes, o ruido do silêncio é ensurdecedor. Pode levar à lucidez e à resistência. Na primeira eleição, 1990, quem o tirou do aturdimento foi Osmar Dias, o seu coordenador de campanha no segundo turno, e agora é quem o atormenta.


Alckmin-Requião
Requião, no segundo turno, tem toda a conveniência de apoiar Geraldo Alckmin que ganhou a parada no Paraná sem desprezar, é claro, lulistas. Curitiba foi invadida por material de propaganda sofisticado em favor da dobrada que Hermas Brandão abençoou. Com isso pode engessar de novo o prefeito Beto Richa que deve, no entanto, receber uma prensa da direção nacional do PSDB para ficar com Osmar Dias, especialmente em função de outros aliados como o PFL.
O deputado federal reeleito, Max Rosenmann, se declarou pela dobradinha. E não se referia à culinária.
Se Beto dá apoio a Osmar, Requião levaria uma tunda em Curitiba.


Folclore
O governador do Paraná repetiu a Arena no regime militar: ela se sustentava, e vencia em sua etapa final, no voto dos grotões, o que aconteceu agora com o comitê chapa-branca. Só falta agora repetir, nas paredes das cidades de porte onde houve derrota, a frase ''o grotão tem razão''.


Inércia
Requião cresce na adversidade, lembrou o deputado estadual mais votado, Alexandre Khury. Hoje, às 10 da manhã, Requião dá entrevista no QG de campanha, na sede do PMDB, rompendo a inércia. Deve retornar com o vigor oratorial de um patriarca do Velho Testamento, o seu forte.


Justiça
Insegurança jurídica é um dos maiores entraves institucionais do Brasil. O solta e prende das liminares, as decisões contraditórias como essas da questão da dragagem do porto. Inadmissível que haja alguém com maior competência para cuidar da navegação do que a Marinha de Guerra e os sofismas jurídicos levaram a uma demora inaceitável na decisão do óbvio. A draga se foi. La nave va e pelo jeito não volta.


Abracadabra
Institutos de pesquisa, mesmo os quentes, não se saíram bem no pleito. Não apenas políticos e partidos precisam ser reciclados, também eles.

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