LUIZ GERALDO MAZZA
A fala da foto
Não é preciso recorrer aos ensinamentos de Cartier Bresson para evidenciar a supremacia da fotografia sobre a palavra em termos documentais. E foi ontem, véspera da eleição, que a televisão e os jornais, sem falar nos criativos ''blogs'' da internet, mostraram a foto do monte de dinheiro envolvido na compra dos dossiês pelos quadrilheiros do PT para minar a vitória, assegurada, de José Serra no primeiro turno em São Paulo e atingir também o PSDB e o seu candidato presidencial, Geraldo Alckmin. A resistência a que se exibisse esse material partiu do ministro da Justiça, Marcio Tomaz Bastos, gênio da advocacia criminal para que não se repetisse com Lula o ocorrido com Roseana Sarney, lá no Maranhão, quando a Polícia Federal apanhou a sua turma com a bufunfa de projeto mandrake na Sudam, Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. Aquele era de R$ 1,34 milhão. O de agora demorou, mas saiu. E daí?
Falar em R$ 1,7 milhão é para a maioria da população inconcebível porque se trata de algo que foge ao nível de compreensão de um povo que vê o seu salário insignificante reduzir-se ainda mais na fogueira do crédito consignado. A foto é mais eloquente do que um discurso e ela faz esquecer ou ao menos dilui a imagem do governante que bota criancinhas no colo ou afaga os seus cabelos.
Pesquisas
Em eleições não apenas os candidatos, os partidos, as obras e omissões são alvo de julgamento. Do rigor arbitral não escapam os institutos de pesquisa, tanto os de primeira linha como os mais fracos em cima das suas sondagens. Não dá para aceitar que haja equívocos como os da última eleição de Curitiba quando o Ibope deu 13 pontos para Rubens Bueno quando este ultrapassou 20, o que levou o candidato, alegando prejuízos, a levar o incidente à justiça.
O DataFolha do dia 28 veio também para corrigir a defasagem da pesquisa do dia 20 que apontava uma diferença de nove pontos entre Requião e a soma dos demais candidatos. Nessa ele ganharia de qualquer jeito, fosse qual fosse a ginástica e acrobacia empregada. Ocorre que dois dias depois o Ibope daria uma diferença de apenas quatro pontos, o que já era um empate.
A chance de qualquer instituto revisar distorções é um apurado senso na boca de urna precedido de uma pesquisa com pontaria bem calibrada. É a salvação.
Alianças
Se houver segundo turno já se sabe qual será o cronograma da oposição: em primeiro lugar o acerto das coligações. Aí também, como no primeiro turno, dará para perceber que o governo tem mais capacidade de criar fatos e agregar por seu poder de persuasão. Na hipótese de segundo turno para o pleito nacional os ajustes serão revistos em função do paralelismo.
Folclore
A segunda eleição para prefeito de Curitiba, anos cinquenta, foi dramática por causa da lentidão no processo de apurações. Era tão demorado que a Rádio Cultura criava um suspense na apuração de urna por urna. O candidato de Ney Braga, o prefeito, o pracinha Felipe Aristides Simão, estava na frente até dois dias antes do resultado final. Foguetes saudavam os resultados. Quando chegou a apuração da 3 Zona Eleitoral tudo mudou e o general Iberê de Mattos, do PTB, foi ganhando terreno até vencer a eleição. A alegria mudou de lado e o povo dizia que era a reação da ''zona da mata''. Com o processo atual das urnas eletrônicas já não há hipótese para esse tipo de carnaval.





