Segundo turno já

O Paraná não foi discutido: nem nas suas potencialidades ou naquilo que poderia fazer para superar-se. Os políticos e os partidos ficaram devendo, ainda que se possa dizer o mesmo em abrangência nacional. Essa a razão pela qual é de desejar-se que haja segundo turno, amplo e irrestrito. Com a força da polarização se pode chegar a um debate mais centrado e capaz de discutir o aqui e agora e igualmente o nosso amanhã.
O DataFolha, de anteontem, deixou assinalado que haverá o segundo turno: a soma das intenções de votos dos candidatos que competem com Requião (e não entram aí o apurado pelos que não pontuaram) empata rigorosamente com o até aqui favorito em 44 a 44. Houve queda de quatro pontos do governador e subida de dois de Osmar e de um de Rubens Bueno e Flávio Arns. Deve caracterizar uma tendência o que levará o situacionismo a um esforço final e desesperado para decidir tudo no primeiro turno, objetivo difícil, mas necessário perseguir.
Uma das formas finais de motivar é confiar que a margem de erro, três pontos, possa desequilibrar a parada.


Sigilo

O sigilo no caso dos grampos é uma imposição de lei, mas os vazamentos serão inevitáveis no segundo turno. Será indispensável, isso ocorrendo, que haja o maior detalhamento do que houve na intimidade do governo com a facilidade com que uns inspecionavam os outros na maior folga e até lá a Assembléia Legislativa também fará o acompanhamento.


O debate

O mais articulado, intelectualmente falando, dos candidatos presidenciais - e o debate o ratificou - é Cristovam Buarque. A fragilidade é do seu partido, hoje uma caricatura dos tempos de Brizola e Darci Ribeiro. Ficou, no entanto, o confronto mutilado pela ausência de Lula. Este ficou ambivalente ao perceber que qualquer opção, ir ou deixar de fazê-lo, o prejudicaria.
Só que a sua fuga foi criticada em editorial na Globo diante de seis milhões de aparelhos de tevê ligados, o que é um comício para mais de 20 milhões de eleitores.


Operação abafa

A possibilidade da eleição de Gleisi Hoffman ao Senado, hoje distanciada apenas 13 pontos de Alvaro Dias, está sendo colocada como reciprocidade para um esforço final e concentrado na ''cristianização'' de Flávio Arns em favor de Requião. Já amplos setores do PT adotam essa orientação e uma inclinação mais forte nesse sentido estaria cogitada para decidir o pleito no primeiro turno, apesar da escassez de tempo e da definição das tendências.
A simples retirada de um ou dois pontos de Arns poderia ser decisiva. Outro detalhe é a vitória, embora por pequena diferença, de Alckmin no Paraná.


Grotões alvaristas

Uma das dificuldades que Gleisi está enfrentando é a de penetrar nos chamados pequenos municípios, dominantemente alvaristas. Pesquisas o revelam.


Braço de ferro

Um braço de ferro entre Jorge Miguel Samek, coordenador de Lula no Paraná, e Beto Richa, eleitor maior do PSDB, é travado hoje e amanhã. A vinda de Geraldo Alckmin a Curitiba para carreata é parte do enfrentamento. Samek, bem mais determinado, já deu mostras de ser mais Requião do que Arns.

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