LUIZ GERALDO MAZZA
A margem de erro
Ulysses Guimarães contou que, certa vez, foi procurado por um instituto de pesquisas que lhe oferecia à venda nada mais do que a ''margem de erro''. O velho faraó do PMDB fez blague com a proposta dizendo que a ''margem de erro'' era, na realidade, a ''margem de lucro''. A passagem hilária está no blog do Moreno que deu o depoimento na condição de assessor de comunicação do velho Ulysses da ''Constituição Cidadã'', na disputa presidencial de 1989.
A tal da ''margem de erro'', para mais ou para menos, é a esperança tanto de quem está por baixo como também de quem figura lá na frente. Tanto o Ibope quanto o DataFolha deram em suas prospecções a margem de erro de três pontos percentuais, que não é pequena, mas se torna incontornável quando o universo é limitado: 1.008 pessoas em 56 cidades, no primeiro, e 1.260 eleitores em 65 municípios, no segundo.
A pesquisa mais recente do Ibope, de 22 deste mês, dá 47 para Requião e 43 na soma dos demais postulantes com diferença de quatro pontos, o que não clareia nada em margem de erro de três pontos. Praticamente um empate e que recomenda cautela no triunfalismo da coligação do governador, apesar de constituir-se em necessidade criar o ''clima'' de vitória com o sentido de mobilização, como se fez, inclusive, na eleição perdida de Ângelo Vanhoni e tantas vezes aconteceu com outras siglas e coligações.
Assim, a ''margem de erro'' pode ser o alento da esperança. E da dúvida, essa amiga indispensável da lucidez.
Outro ângulo
Como as pesquisas de Ibope e DataFolha estão programadas para amanhã e deixam de influir no palanque eletrônico, felizmente já esgotado porque saturava o respeitável público, elas podem ser afinadas para não dar distâncias como as ocorridas entre os dias 20 e 22, o que não ocorre com as nacionais. Universos semelhantes, como foi mostrado acima, não podem dar diferenças tão gritantes de quatro e nove pontos. Essa, do DataFolha, garantiria a vitória tranquila de Requião no primeiro turno: mesmo tirando os três pontos, da margem de erro, do governador e adicionando três para a soma dos demais ele venceria fácil. Mas por três pontos como aconteceu entre ele e Alvaro Dias no segundo turno.
Equilíbrio
As lideranças do Paraná não estão com essa bola toda. Enquanto um Aécio Neves tem mais de 70 pontos lá na frente e esnoba o debate em Minas, aqui tudo é mais apertado: somados os votos, de 2002, entre os líderes (Alvaro e Requião) do primeiro turno juntos não alcançaram a metade dos votos válidos, bastando lembrar que Beto Richa fez pouco mais de 17% e o padre Roque chegou próximo. Só aí são 34%. Naquela também estava presente Rubens Bueno.
O único que rompeu a regra foi Lerner que abateu Requião e Alvaro no primeiro turno e precisamente por causa do oportunismo suicida dos dois. A vitória em 1985 de Requião sobre Lerner para a prefeitura da Capital por menos de 20 mil votos serve de ilustração. Pimentel teve votação de vereador.
Folclore
O político, antes de tudo, deve ser um sedutor: Ney Braga, segundo alguns dos seus analistas, era tão enfático em ''cantar'' o eleitor como se o estivesse tratando como uma dama que desejava levar para a cama. Essa não passaria com eleitores do Lula porque ele tinha Freud no Estado Maior.





