Fobia do segundo turno?


Tanto o governo federal como o estadual querem liquidar a fatura no primeiro turno e por motivos óbvios: denúncias de impacto deste fim de campanha podem ter tratamento mais qualificado se a lousa eleitoral for zerada.
Embora Lula acumule maiores condições de obter essa vantagem, ele enfrenta o peso de denúncias mais fortes e envolventes, o que pode colocar tal propósito sob ameaça real. Já Requião não deveria ter medo, como se percebe em alguns setores de sua campanha, dessa hipótese pela circunstância de haver ganho as eleições por duas vezes no segundo turno e ambas em situação inferior.
Lula venceu a última eleição também no segundo turno, perdeu no primeiro as duas para Fernando Henrique e no segundo, na sua primeira tentativa, para Fernando Collor Os dois, portanto, devem encarar a probabilidade sem mostrar impaciência e intolerância até pelo acumulado na experiência: é preciso exibir vibração na mobilização e não evidenciar distonia neurovegetativa na hora da convocação dos partidários como essa intenção de amedrontar jornalistas junto à PIC e de quebrar-lhes o sigilo telefônico. A PIC, de seu lado, está na obrigação de atender a convocação do Corregedor do TRE, ainda que ela se faça, por transcorrer em segredo de justiça, com acesso limitado aos julgadores, o que a vacinaria contra impactos no pleito.
Requião levou a pior no primeiro turno e ganhou no segundo, a primeira com apoio governamental (Alvaro Dias), a segunda na oposição. Viveu, portanto, uma variedade de situações que apenas o favorece, ainda que seja a ardente esperança, a derradeira, das oposições porque até aí mesmo Requião leva outra vantagem na articulação de legendas mais fortes, tanto na ala majoritária do PSDB, com Beto Richa e Hermas Brandão, como na do PT, aí com possível maioria.
Nada justifica o temor que nos mais sensíveis é sempre outro risco.


Sensação

O secretário de Segurança pode até ter razão em contestar os números da pesquisa sobre violência do Ministério da Justiça, que coloca o Paraná como um dos pólos das ocorrências, mas não tem como tirar da cabeça do público aquilo que especialistas chamam de ''sensação'' da maioria.
Tanto Lerner como Requião apostaram em medidas psicológicas para diluir essa sensação de insegurança: o primeiro com o inútil tótem e o segundo com aquela pretensão de intimidar a ''banda podre'', que jamais identificou, ao assumir cumulativamente a pasta policial e o governo, que a Constituição proíbe e pune com a perda de mandato, embora não indique a maneira de fazê-lo.
De sensação em sensação, de repente, ao menos recuperamos o verão e agora em plena primavera, o que nos acalenta os sonhos, mas não nos garante segurança .


Explicação

O governo costuma alegar que não divulga estatísticas da violência para não dar ''bandeira'' aos delinquentes. O que obviamente também não funciona.


Folclore

Debates oferecem riscos. Uma vez, no Canal 6, o elegante Newton Carneiro acusou o advogado e ex-deputado federal Vieira Lins de ter falhado como líder do PT e de Getúlio Vargas na crise que o levou ao suicídio. Vieira Lins, no estilo de advogado de júri, sugeriu que Newton Carneiro teria ouvido essa queixa, na intimidade, a referência com tom agudamente malicioso, de Ivete Vargas.

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