Chances de reversão


Obviamente que há chances de reversão do quadro eleitoral, apesar da pesquisa DataFolha indicar vitória no primeiro turno para Requião. A soma dos votos dos demais candidatos é de 39 pontos contra 48 do governador, distância de nove pontos, o que possibilita uma virada se houver um pouquinho de competência, em especial, dos três comitês, incluindo o ''cristianizado'' Flávio Arns, no resto da campanha.
Há algo que não está sendo devidamente considerado: o nível de alheamento do eleitor é de tal ordem que mais parece com um iogue diante do comissário torturador que o espanca, para forçar a metáfora de Arthur Koestler, e não é impossível que haja uma reação final, o uivo dos indiferentes de hoje, tanto no pleito nacional quanto no local. É claro que motivações no campo nacional são maiores.
O desinteresse é assustador: não é apenas o ''decor'' prejudicado em função das restrições da Justiça Eleitoral como também a pouca adesão, por exemplo, ao uso de decalques em automóveis, mas uma espécie de torpor, embotamento, do eleitor sufocado de tanta informação de irregularidades e de quadrilhas. Na hora final, em direção oposta, pode ocorrer a catarse: o grito da maioria silenciosa até aqui calada. Uma hipótese, não uma certeza. A última porque a penúltima é o Ibope de hoje mostrar números diferentes do DataFolha.
Por enquanto, localmente, o governo esmaga a oposição em competência, embora nada tenha de genial e surpreendente. Feijão com arroz sem frescura.


Debate


No itinerário final há o debate de terça-feira na tevê, que pode mais do que o horário gratuito alterar as coisas. Uma pesquisa científica mostrou que apenas seis por cento do eleitorado muda de opinião com os programas normais, mas o debate pode ter mais consequências. Há sempre aquele caso de Vanhoni aturdido não saber o que era o Procel diante de Taniguchi e acabou no inferno.


A mentira

Se a mentira dos políticos -e eles se esmeram em fazê-las das formas sutis às escancaradas neste momento em todo o Brasil- fosse cobrada como os húngaros fazem agora nas ruas da sua capital teríamos agitos todas as horas, todos os minutos, algo como aquela da China na Praça da Paz Celestial. Pelo jeito até parece que nos alimentamos de mentiras, uma espécie de insumo cívico.


Cristianização

Há muitas evidências de que não apenas o eleitor, mas o comando do PT, em troca da adesão à candidata ao Senado Gleisi Hoffman pelo PMDB, decidiu levar a fundo a ''cristianização'' do seu candidato ao governo, Flávio Arns. Era a visualização disso que justificava a resistência ao pacto entre PSDB-PMDB, pois no Paraná o PT sempre foi estepe do requianismo, como se viu na questão do nepotismo com quatro deputados se colocando contra cinco por essas tão conhecidas identificações. Além disso a certeza do voto em Lula e a tapeação de uma suposta aproximação de Alckmin.


Purgação

Decepcionados com a traição dos ideais originários, lulistas podem votar em branco ou descarregar em Heloísa Helena. Outra hipótese de trabalho.

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