LUIZ GERALDO MAZZA
Misturador de vozes
Como vivemos sob o signo de escutas telefônicas, legais e ilegais, nada mais apropriado do que falar de ''misturador de vozes'', que é uma das formas de neutralizar a espionagem. Até aqui, e em vários eventos, inclusive nos mais recentes, quem faz esse bloqueio é o governo. A técnica empregada é a de fazer a confusão deliberada e de desqualificar ações de adversários seja na questão do nepotismo ou no caso dos transgênicos, onde uma ''ideologia'' forçada, apesar de decisões judiciais e normas de biossegurança preservadas, é usada o tempo todo, mesmo quando não há mais o que fazer para impedir o movimento do produto geneticamente modificado no porto.
A questão das escutas colocou o governo na defensiva, pois se era visível que o policial Délcio Rasera desfrutava de condição privilegiada no interior do governo e no Palácio Iguaçu, as atabalhoadas intervenções do procurador-geral de Justiça aprofundaram as suspeitas e ampliaram esse passivo. Na hipótese de confirmação dos indícios de mediação para dificultar ações da Polícia Federal, a dimensão do problema aumenta consideravelmente, da mesma forma que são intensificadas medidas contra Riquelme de Macedo não apenas junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, mas também no Conselho Superior local.
Se o ''misturador de vozes'' funciona para dissipar escutas pode, no entanto, na medida em que se o emprega por método, piorar constrangimentos ao governo sem que haja um efetivo esclarecimento. Aí de terapia se transforma em veneno.
Instituições como o Ministério Público e a imprensa, bem como associações, operam com maior eficiência do que a oposição que não sabe expor com clareza o que está ocorrendo e aí, na exploração política, leva um banho da situação.
Protesto
Há nada menos de oitenta postulantes, por remoção ou antiguidade, de olho no sexto cartório de protesto de títulos de Curitiba. Muitos serão os chamados, mas apenas um o escolhido. Pior do que o funil vestibular ou eleitoral.
Pegou mal
Embora se trate de uma brincadeira de mau gosto, nada mais do que isso, a blague sobre o ''criame'' de PMs no Canguiri, feita na intimidade por Requião, mexeu na tropa, onde aparentava predominar maioria tranquila pró-governo. Alguém da intimidade palaciana gravou a cena, mas não soube ser o fiel depositário. Tal qual se deu com o casamento da filha de Lerner em Nova York: um conviva entregou a gravação ao PMDB, que a explorou em horário eleitoral. Nem sempre a desatenção e a bobeira decorrem de mau caráter.
Pesquisa
Ansiedade com as pesquisas até se justifica porque o DataFolha estava marcado para o dia 5 e coincidentemente foi transferido em cima da ocorrência grave dos grampos, o que levou muita gente a ver no episódio o fator que teria ditado a mudança. Como é um tempo nervoso em que a especulação pesa mais do que os fatos houve gente da cúpula do PT que insinuou que a Gleisi estaria já colada em Alvaro Dias. O delírio é normal, não assusta, o que não justifica que se subestime o incremento em favor da candidata com as declarações de Lula e também do próprio Requião.





