LUIZ GERALDO MAZZA
O martírio do silêncio
Para os governistas, fornecer qualquer listagem, ainda que como obrigação oficial, com os nomes dos parentes do governador é algo tão infamante quanto a delação. E já se valem do argumento de que ninguém, por amor à causa (a rigor ninguém sabe qual, fora garantir o emprego), pode dar-se ao ignóbil gesto da delação, dedodurismo, de entregar os agentes do nepotismo. Como todos sabem do nepotismo iluminado e esclarecido, segundo a justificação da moda.
Com isso ganham tempo para evitar que a questão seja aproveitada no TRE e com o que se colocam na mesma condição dos mártires cristãos da arena romana, calados até a morte por mais duro que seja o rigor do sofrimento.
Pândegos, sim, mas um jeitinho de estóicos da igreja das catacumbas, quase como os homens-bomba palestinos ou os ''mártires do D.A.S''.
DNA
O Requião é ele mesmo, não importa o que isso signifique. Mas do Osmar Dias, desse que aparece no horário do TRE, o que se pode exigir é o DNA como uma espécie de contraprova de identidade.
Lilás
Não foi fácil segurar a rapaziada querendo vestir-se de lilás para se atracar nos votos e nos perfumes das mulheres petistas.
Alfazema
Com lavanda ou alfazema você não torna mais palatável a rusticidade.
Escalão
Com o envolvimento do Ouvidor Geral (o que é uma redundância pleonástica) nos grampos o primeiro escalão entrou em cena. E uma área sensível do segundo foi contaminada com o diretor da Imprensa Oficial.
Paradoxo
Por falar nisso pergunta-se, e isso nada tem de impossível e de absurdo, se há imprensa além da oficial.
Folclore
Mais uma do Requião: quando prefeito ele dizia que seu único funcionário fantasma era o ''Gauchinho'', o Carlos Alberto Marques, muito popular tanto em Curitiba como em Londrina. E acrescentava pessoalmente ao beneficiário: ''e está em débito comigo porquanto atendi o pedido de nomeação porque você estaria nas últimas, segundo seus amigos mais veementes''. Para nossa alegria o Gauchinho viveu muito mais.
Greves
Essas greves, como a municipal de Londrina, são mais um elemento de anomia (falta de referenciais legais no país), embora menos forte do que os representados pelas ações do MST e MLST, aquele do ataque ao Congresso e as operações contínuas do crime organizado. Tivemos ''paredes'' sem resultado na Anvisa, na Previdência, especialmente nas universidades e a metabolização de um movimento sem vitória virou constante na vida brasileira.
A greve, banalizada, perde o sentido, atinge a autoestima dos militantes e mina paulatinamente o espírito de resistência da corporação e se torna em arma de risco aos que a intentam.
De outro lado o imobilismo da Justiça é preocupante até porque o direito de greve para servidor público não é cláusula pétrea nem autoaplicável, uma vez que depende de regulação em lei complementar. Com tudo isso a greve no setor público é uma constante, especialmente no pós-Lula, em que se nota de forma visível a cumplicidade da CUT por ter no setor público um filão especial.





