LUIZ GERALDO MAZZA
Capachismo patológico
O culto à personalidade aqui no Paraná se exaspera com as eleições. O governo Requião, exaltado como patriarca bíblico e dotado de onisciência, é bajulado de uma forma tão desarrazoada que os seus seguidores chegam ao absurdo de registrar como um feito positivo uma sondagem, bem pior do que as do Ibope e DataFolha, da revista IstoÉ/Databrain, com uma diferença de apenas dois pontos sobre a soma dos demais postulantes o que, considerada a margem de erro, dá um empate técnico.
Esse levantamento, feito com 802 entrevistas, em setembro, dá 43.5 para o governador e 41.9, para a soma dos demais, aparecendo Osmar Dias com 28.4, Rubens Bueno com 6.8 e Flávio Arns com 4.1 e assim por diante. Aplicando-se a margem de erro, nunca inferior a três pontos, até pela limitação do universo pesquisado, ainda que convenientemente definido por amostragem correta, essa seria a pior das sondagens até por supostamente mais atualizada e de qualquer forma incomparável com as anteriores de institutos mais qualificados.
Da mesma forma que a primeira reação de Requião no primeiro Ibope foi de contestar até na Justiça Eleitoral a sua divulgação, o que não impediu que depois a adotasse no proselitismo, temos essa paradoxal manifestação de triunfalismo precoce com a pesquisa mais apertada. E convenhamos que deverá ficar mais apertada ainda com o apoio claro, com proximidade física e diante do povo em comício na cidade de Colombo, de Lula aos seus candidatos ao governo, Flávio Arns, e à bela concorrente ao Senado, Gleisi Hoffmann.
CPI do grampo
Era intensa a agitação ontem nos meios políticos de que a oposição proporia no Legislativo uma CPI dos grampos em função da recente prisão pela PIC do assessor da governadoria, Delcio Razera. Uma referência constante no diz-que- diz-que da área é de ''grampo'' no Judiciário. No caso de Campo Largo o grampo foi feito com a promotora da comarca. Cuidado, alertam jurisperitos, com a eventualidade de ''grampo'' sem autorização judicial que geraria trombada por sua origem manifestamente ilegal e indevida.
Ontem, à tarde, a CPI foi aprovada com 18 assinaturas.
Quebra da inércia
Ontem, à tarde, o deputado José Domingos Scarpelini foi ao TRE impugnar a candidatura de Requião e, ao mesmo tempo, pedir investigação sobre escutas telefônicas. Altamente temerária, mas bem no estilo do parlamentar que teve participação na primeira eleição de Requião, a manobra, em certa medida, ao menos rompe a inércia da oposição que não consegue deter o predomínio de Requião na iniciativa de ações políticas.
Ainda ontem Requião deu mostras disso em entrevista radiofônica anunciando as ''estradas da liberdade'', obras rodoviárias que contornariam os eixos das pedagiadas. Não clareia se é atalho ou estrada paralela, mas tenta responder aos anúncios de oposição sobre a promessa solene do ''baixa ou acaba''.
Normalmente Requião, diante das ações mais fortes de oposição, leva o caso para o Judiciário, como tem ocorrido com frequência.
Folclore
Quando o Legislativo paranaense tinha 193 veículos, o de Santa Catarinha contava com 17 e o do Rio Grande do Sul com 15. Nessa ousadia, diz Sylvio Sebastiani, como no futebol, pelo menos até aqui, não perdemos dos catarinas.





