Neutralidade militante

Para equilibrar-se no muro, o prefeito Beto Richa se diz neutro na questão sucessória, embora a sua eleição tenha se constituído num claro divisor de águas entre a aliança PMDB-PT e a oposição mobilizada. Ao comparecer em ato público junto com o governador em exercício, Hermas Brandão, e o vice-prefeito, Luciano Ducci, dois requianistas de carteirinha, mostra que sua neutralidade nada tem de neutra, é um caso clássico de neutralidade militante.
Enquanto persistia a farsa da coligação PMDB-PSDB, fulminada no TRE, ainda havia justificativa no suposto interesse da candidatura de Geraldo Alckmin, que o governador da cidade tenta colocar como sua prioridade. Ao dar o apoio oblíquo a Requião, que tentou postar-se em todas as áreas, ajuda a degradar o potencial de energia do candidato tucano, subordinando-se ao jogo dos adversários o que revela mais imaturidade para o exercício sério da política do que um sinal afirmativo.

O mito do 'aparelho'
O governo estadual parece confiar demais na visão de clandestinidade e de ''aparelho''. Já na primeira gestão tivemos ações da P-2 tanto no caso das bruxarias de Guaratuba quanto no do líder sem-terra Teixeirinha e que acabaram ganhando forte conotação política. Curioso é que hoje o especialista, até porque um oficial operacional, o coronel Copetti Neves, que comandava essas intervenções, se distanciou do governo e foi por ele apanhado em ''grampos''.
O pior é que há grupos que se digladiam no interior da administração e que se valem dos mesmos expedientes. Notória a incompatibilidade entre o servidor (tido como especialista em ''inteligência'' policial) Razera e a cúpula da Segurança e visível igualmente a cobertura que Requião lhe dava colocando-o à disposição da Governadoria.
Em várias ocorrências, é claro que também a serviço do espetáculo, como a operação denominada ''Grande Empreitada'' e que manteve presos, por algum tempo, empresários ligados à Apeop, Associação Paranaense de Empreiteiros de Obras Públicas, e depois liberados sem que se soubesse a continuidade desses procedimentos percebe-se o estilo. Tal qual se deu na denúncia de que um banco teria oferecido a Requião 9% para que ficasse com as aplicações do fundo de pensão estadual. Nunca o assunto foi esclarecido ou o banco nominado e também aí pesou a amnésia costumeira do público, que não cobra nada.

Na trincheira
O pior é quando a guerra intestina ameaça transformar-se em intestinal.

Folclore
Numa roda de esportes um dirigente que nas horas vagas é professor de língua portuguesa fazia apreciações sobre os comentários do Nego Pessoa (Carlos Alberto) e que às vezes, apesar de bem escritos, não os entendia. O Nego deu de bate-pronto e sem sutileza: ''escrevo para bípedes!''

Neutro
Gente ligada a Beto Richa cobra que o acusam de ficar no muro e nada dizem do senador Alvaro Dias que também silencia em relação ao irmão.

Oposição
Se o episódio dos ''grampos'' se desse no governo Lerner, dá para imaginar o escândalo que Requião e o PMDB fariam. Essa é a diferença-chave: os fatos políticos são pessimamente explorados e alguns com precipitação como aquela denúncia de Osmar Dias sobre a revista ''IstoÉ'' e a sua fazenda em Tocantins. Louve-se que ao menos no ''site'' da oposição o fato acabou explorado.

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