LUIZ GERALDO MAZZA
007 em ação
A polícia não pode tomar partido nas eleições. Ela é no conceito webberiano um monopólio de Estado e não se presta a proselitismo. Isso não impede que um e outro lado se valham de recursos detetivescos para intervir. Aparelhos de escuta, gravações, filmagens, enfim a parafernália para desequilibrar.
Antes o profissional mais importante das campanhas era o marqueteiro, depois ficou sendo o advogado por causa das tropelias no tapetão e agora há essa, menos notória, dos que imitam o 007. O Ferreirinha foi gestado no governo e garantiu a eleição, a primeira, de Requião. Hoje o pessoal está mais ligado e por isso mesmo tem a sua P-2, às vezes com policiais de folga.
O tom
O apelo de qualquer partido ou coligação para ganhar no primeiro turno, mesmo como motivação, é de um ridículo atroz. Ou atrás. Fizeram isso na última eleição de prefeito em Curitiba e foi inevitável o segundo turno. Normalmente quem o faz está com a síndrome da derrota.
Manjuba
A pesca industrial está matando a artesanal em Santa Catarina, um dos maiores pólos da atividade no Brasil (seus produtos chegam ao Nordeste, por exemplo). Ocorre que com a captura de manjubas e sardinhas vivas para pegar atum, as espécies que vivem nas encostas sofrem com o rompimento da cadeia alimentar.
Barra pesada
Pelo jeito essa eleição vai se transformar num Boletim de Ocorrência gigante: um carro de equipe partidária, presente na mobilização do Paraná Clube para receber Geraldo Alckmin, foi roubado e perdeu seus equipamentos. Dá claramente para imaginar o que está por vir. Os assaltantes estavam armados e subjugaram os empregados da produtora. Por mais essa razão é que a Segurança vai ser um dos temas da campanha eleitoral.
Folclore
Em 1965 na eleição para governador, no regime militar, por incrível que possa parecer, a Polícia Miliar estava dividida entre os candidatos polarizantes, Paulo Pimentel e Munhoz da Rocha. Tínhamos um ''aparelho'' na rua Cruz Machado e com um sofisticado equipamento de rádio, operado por dois telegrafistas da PM, e sentíamos na troca de informações que a maioria era oposição.
Requianistas dizem, em seu ''site'', estar com 99% da PM. O coronel Furquim, da Amai, mais modesto, acredita que a maioria é contra e se divide nos três candidatos e alguns, em estrita minoria, até preferem os ''nanicos''.
Nepotismo
Não há como separar o governador do nepotismo, mas seus assessores foram ao TRE para tirar do ar a melhor peça da campanha até aqui: aquela do decalque da família Walton. O juiz não acolheu, obviamente, o pedido. Se houvesse uma decisão dessa ordem seria o fim da picada.
Urge controlar os hormônios, mas sem exagero e camisa-de-força. A derrubada do quadro do PPS com o João Bobo caricaturando os senadores foi justíssima porque despropositada.
Os outros
E os que fizeram empréstimos no Banestado, e que são candidatos, sem terem à época o cadastro e a condição patrimonial, vão ficar esquecidos? Ou sobra tudo para o Algaci Túlio que, aliás, com isso ganhou exposição na mídia. E justa.





