Da unidade ao racha


Quando terminou o primeiro turno da eleição de 1990 com a vantagem de Zé Carlos Martinez houve pânico e quase paralisia no QG da campanha do PMDB. Foi preciso a entrada de Osmar Dias para injetar entusiasmo e tirar as coisas da inércia. E isso foi decisivo no processo da virada e posteriormente quando o TRE cassou o mandato de Requião. Osmar Dias e o vice governador, Mário Pereira, comandaram as manifestações de resistência nas ruas.
É claro que houve o ''Ferreirinha'' e o próprio Alvaro Dias, que permaneceu no Palácio Iguaçu, para evitar a vitória de Richa no primeiro turno e garantir a virada, quase acabou enquadrado no crime eleitoral porque teria prevaricado ao encaminhar o suposto pistoleiro não à polícia, mas ao comitê do PMDB. O leão daquele episódio foi Osmar Dias com sua determinação e aplicação, já que o partido se exaurira no empenho em tirar Richa da parada.
Todos os principais candidatos da atual eleição integravam o governo Alvaro Dias: Osmar na Agricultura, Requião no Desenvolvimento Municipal, Rubens Bueno na Justiça e até o Flávio Arns, que era diretor da Educação Especial. Nada disso levará essa gente ao respeito e à contenção. Tudo indica que praticarão a guerra dos babuínos: Rubens Bueno, que foi assessor parlamentar de Alvaro, hoje rompido, vai pra luta e tenta sair na frente como anti-Requião, embora se veja obrigado obviamente a ter que bater naquele que estará mais à frente, no caso o Osmar. Os que se uniam hoje se digladiam. Curioso, mas normal.


Do tudo ao nada


Gênios políticos haviam imaginado uma eleição sem disputa, Requião vencendo por WO. O último resíduo dessa operação foi a coligação PMDB-PSDB. Resultado final: Orlando Pessuti perde a vaga no Tribunal de Contas, que pode até ser reivindicada por Durval Amaral que ficou em segundo lugar; o PMDB desfalcado de minutos importantes no horário eleitoral e o candidato à reeleição despojado dos apoios que pretendia ou que se imaginava que pudesse obtê-los.
Tenta-se agora nova incursão de risco: a indicação de candidato ao Senado, o que dificilmente a Justiça aceitaria.



TV, a procura


Para fugir do tédio da campanha eleitoral a partir do dia 15 com 50 minutos de prejuízo na programação da tv aberta, haverá por certo aumento considerável da audiência da TV a cabo. E por isso mesmo as interessadas fazem propaganda institucional e de vendas com preços sedutores.
Os que pretendiam um engajamento de camisa-de-força, obrigatório, do telespectador, tentando enquadrar a TV a cabo, felizmente quebraram a cara, com o que se garantiu a democracia, o direito de não ver a programação.


Greves


No disparo a greve dos professores da Universidade de Londrina, embora todos saibam que aumento agora é impossível. Nem o dos delegados de polícia e procuradores até agora não foi concedido por causa de uma interpretação da legislação eleitoral. Lula não deu bola para o alerta do ministro Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE, e atendeu os barnabés e agora em Medida Provisória deu os 5% dos aposentados que recebem mais do que o mínimo.
Já a APP-Sindicato pretende se manter ativa, embora saiba que o reajuste é impossível. Nesse aspecto Hermas Brandão tinha razão quando falou na criação de expectativas falsas, o que é ruim para todos, embora mais ao governo.

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