LUIZ GERALDO MAZZA
Fim da coligação?
A coligação PMDB-PSDB sempre foi natimorta. Faltava a declaração e o competente atestado de óbito ontem consumado no TRE. Porque era do interesse de pessoas isoladamente consideradas e não de um partido: era parte daquele imaginário em que o governador venceria o pleito sem disputa. Resistia ao tempo, mas não às imposições da razão como fragmento de um plano ditatorial porque concebia uma eleição sem concorrentes.
Obviamente o racha prossegue porque desde o início se sabia que persistiria com qualquer decisão. Havia tudo para reprisar o episódio da primeira eleição de Requião, em 1990, quando infiltrados sob sua orientação, no interior do PDT, provocaram um cisma que levou a Justiça Eleitoral a permitir até uma partilha entre os dois grupos no horário eleitoral, o que é uma permissividade hoje inaceitável.
Se houver recurso, e há condições para tanto, pois a decisão jurídica de matéria essencialmente política, daí porque deveria esgotar-se no intra-muros do PSDB, foi renhida e resolvida por um voto. Há um problema de cronograma a resolver o quanto antes já que estamos a menos de uma semana do início da campanha no palanque eletrônico. Quanto mais demorar, pior para todos.
O juiz
O juiz relator do processo, Pedro Gebran Neto, firmou o princípio de que a temática política se exaure na instância partidária. É uma decorrência do fundamento da livre organização e funcionamento dos partidos. O respeito à hierarquia vertical está presente tanto nos estatutos do PMDB como no PSDB. Deu para percebê-lo na decisão sobre o registro no Diretório Nacional da candidatura de José Borba no PMDB, aquele do mensalão.
A sustentação do relator é densa. Lembra os julgados de um seu antecessor na Justiça Federal, Milton Luís Pereira.
Utopias
Estive no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná para motivar os seus associados ao estudo das utopias da terra como a República Teocrática Guarani e fatos como os decorrentes da experiência anarquista em Palmeira do Giovani Rossi e a do médico Jean Maurice Faivre, na Colônia Teresa Cristina, no Rio Ivaí, e que se fundava nos ''falanstérios'' de Charles Fourier. Também outro francês, Benoi Jules Mure, montou experiência semelhante em 1842 na Barra do Say, em São Francisco, Santa Catarina.
Falei também sobre o nosso descompasso em relação a catarinenses e gaúchos nos indicadores sociais e econômicos. Somos politicamente periféricos.
Folclore
Um médico passou mal e seus colegas pregaram-lhe uma peça como se estivesse morto e no céu. Um deles se passava por São Pedro e lhe dizia que tudo dali para a frente seria calma e contemplação. O paciente não se conformava e se achava um pecador que precisava confessar suas culpas e contou que, dias antes, tivera um caso com a mulher do anestesista que o assistia à distância.
Água
Até a estiagem vai buscar uma chuva de votos. Requião diz que a culpa é de São Pedro e não de ''São Nepar''. Mas a oposição lembra que ele cortou, tanto no primeiro como no segundo e atual governo, os acordos internacionais, com juros de 4% ao ano de banco japonês, voltados para o suprimento de água no complexo Miringuava e no Piraquara II. Tivemos que pagar por isso taxa de permanência, aliás o que se deu também com Lerner.





