LUIZ GERALDO MAZZA
Estuário obscuro
Uma equipe de auditores e técnicos do Tribunal de Contas da União fazia ontem inspeção nos portos do Paraná. Anteriormente já haviam denunciado anomalias. Como também a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e a própria Câmara Federal que sinalizou os primeiros passos para um raio X nos terminais.
Quem tem blindado, neste caso, o governo estadual é o próprio Lula, que criou dificuldades para que os pleitos da Antaq frutificassem. É um bom motivo para não dar apoio (o que aliás não lhe convém) a Geraldo Alckmin e equilibrar-se no muro e ganhar os dois minutos decorrentes da aliança com o PSDB.
Coligação
Politicamente o governo perdeu uma cartada com a decisão do PSDB (Alvaro Dias fez tudo para derrubá-la e em detrimento do próprio irmão) de manter o veto à coligação com o PMDB regional, mas avançou juridicamente com o parecer do Ministério Público junto ao TRE que a entendeu como válida. Isso não implica em aceitação dos julgadores, obviamente. Dá, no entanto, oxigênio.
Bronca
Um decalque em automóveis da Amai (ligada ao pessoal inativo da PM) afirma que 150 mil eleitores da corporação votam na oposição. Enquanto isso alguns integrantes da categoria tentam receber atrasados desde 2003 para compensar.
Leva todo jeito de pressão para negociar.
Navios
Turbulências nos portos continuam a gerar prejuízos, um deles decorrente do fato de apenas um berço, o 214, operar com transgênicos quando todos os três poderiam funcionar com cargas segmentadas. Nos dias 3, 4 e 5 de julho os berços 212 e 213 estavam livres, mas não foram liberados. Resultado: navios Sea Urchin, Lioness C e Sea Baisen produziram um prejuízo, pela espera mínima de dois dias, da ordem de R$ 365.485. É a demourrage que chamam de ''deburrage''.
Pesquisa
Apesar da generalizada indiferença do público em relação às eleições, dá-se importância às primeiras pesquisas porque elas balisarão o comportamento dos possíveis doadores-financiadores e a grana está curta. A própria campanha de Lula já começou deficitária, no vermelho, esse menos contornável do que o das cores do partido, hoje amarelando.
Folclore
O radialista Paulo Branco, de Curitiba, estava no olho do furação na crise de 1961, posterior à renúncia de Jânio Quadros. No QG da resistência e no meio da Cadeia da Legalidade pela Rádio Guaíba viveu os dramas do cerco do Palácio, o armamento do povo, a mobilização da Brigada e por fim o apoio do IIIº Exército. Passada a guerra, Brizola homenageou os radialistas que estiveram nas trincheiras da Legalidade com uma churrascada e mandou fazer uma placa de exaltação aos bravos repórteres e comentaristas. Para decepção do Paulo Branco seu nome não estava na lista e foi direto ao caudilho reclamar. Brizola prometeu que corrigiria o senão, mas nada foi feito. Alguns anos mais tarde, em função do golpe de 64, um general mandou encanar todos os que estavam na placa. Graças a isso, o Paulo Branco se viu livre da encrenca.
Museu
Espera-se que não ocorra com a mostra ''Eternos Tesouros do Japão'' o mesmo que se deu com a da China prometida para 2003 e frustrada no Museu Oscar Niemeyer. Dona Maristela, a primeira-dama, acertou a exposição para agosto. São 120 obras dos séculos 17 e 19.





