LUIZ GERALDO MAZZA
O anti-Requião
O PFL está curtindo a aliança com o PPS: conseguiu um aríete, o Rubens Bueno, para bater de forma sistemática em Requião. Sem assumir o ônus pessoal desse papel de gladiador, é de qualquer forma beneficiário porque nenhuma outra sigla tem sido mais hostilizada pelo governador do que o PFL, ao qual estavam ligados Lerner e seus atletas amestrados. Com vantagem extra: PPS é sucedâneo de sigla de esquerda, muitas vezes aliada do governo, o velho PCB. E isso dá uma tintura à esquerda aos ''liberais''.
A aplicação de Rubens Bueno na tarefa de, se possível, acuar Requião, é das malhores. Na intervenção da Justiça Eleitoral que tirou o site oficial do ar há a atuação do candidato do PPS. Uma providência parcialmente vitoriosa e de muita repercussão, tanto quanto naquela outra relativa ao nepotismo que mexe com os hormônios do time palaciano. Para mostrar o quanto é obstinado nesse papel investigatório pegou no pé dos procuradores de justiça que, em seu Conselho Superior, acataram a denúncia e por isso o autor está a pleitear celeridade nas apurações de quantos familiares do governador estão no batente.
Nem sempre esse papel dá certo. A não ser que o atacante recolhesse material contundente o suficiente para tirá-lo do segundo turno como Requião fez com José Richa: bater para expurgar. No pleito de Curitiba, 1985, Paulo Pimentel quis ser a alternativa entre Requião e Lerner em pleito polarizado e era o que mais batia, inclusive teria estragado alguns microfones por esmurrar o peito para reafirmar a condição de corajoso. Sua votação foi suficiente apenas para eleger um vereador.
Senado
Palavra de ordem no PMDB é descarregar em Gleisi Hoffmann para o Senado. Já Alvaro Dias disse, anteontem, na Boca Maldita, que o ideal seria não haver recurso à decisão do TRE sobre a aliança entre PMDB-PSDB o que mexeria com o cronograma da campanha. Obviamente isso o favorece, mas o grupo mais ''hard'' do tucanato não se conformará com uma decisão que ratifique a aliança.
Cachorrada
Em mais uma coisa se percebe o não funcionamento da prefeitura da Capital: se o contribuinte tiver um cão morto em casa, não dispuser de espaço no quintal para enterrá-lo e chamar o serviço municipal, estará lascado se isso ocorrer em fim de semana, porque não será atendido. Em dias de semana o atendimento seria em 24 horas. Se num fato singelo como esse se percebe a inoperância dos serviços públicos, dá para compreender também a inutilidade dos alertamentos quanto ao risco de zoonoses. Cachorro morto também é risco.
Fronteira
Novamente os ianques botam o olho em Foz do Iguaçu em torno de uma suposta ação da comunidade muçulmana em favor do terrorismo na tríplice fronteira. Ninguém é sofisticado em terror como eles: vide a estupidez no Iraque e Afeganistão, onde estimularam Saddam e Bin Laden e depois os abominaram, mais de olho no petróleo e mercado de armas do que em democracia, como se vê agora na cobertura, na ONU, em favor dos ataques de Israel no Líbano.
Folclore
Chargistas estão usando demais o tema da cabeçada do Zidane no Matterazzi e com tal frequência que dá a impressão de que eles é que estão batendo cabeça.
Até o Rubinho Barrichelo fez a brincadeira com o setor técnico para queixar-se das más condições do carro. Nem nessa Rubinho marcou ponto. Chegou tarde.





