Pequenos senões
Ninguém esquece do ar de perplexidade do Ângelo Vanhoni quando Cassio Taniguchi lhe perguntou sobre o Procel no debate eleitoral. A expressão aturdida, por vinte segundos, uma eternidade na televisão, teve poderosa influência no resultado eleitoral negativo. O pior é que a cara de jejuno não se justificava, já que havia pelo menos 15 páginas sobre o assunto no briefing do partido para a campanha e tudo bem clareadinho.
Requião, na eleição passada, repetiu, bem no seu estilo, o saque de Churchill de que faria acordo até com o diabo no combate a Hitler, e como pentecostais se excitaram com a frase o candidato tratou de consertar apelando até para os serviços de um perito criminal, que atestou que a voz gravada era de outro, embora não, certamente, do tinhoso, do coisa ruim, do torto.

A marmita
Na eleição de 1950, o político Hugo Borghi, do PSD paulista, insinuou, de forma bem maliciosa, que o brigadeiro Eduardo Gomes teria dito que não faria côrte aos ''marmiteiros'', ao povão proletário. Não era verdade, mas ''pegou'' e ajudou bastante a desconstruir a figura mítica do homem da Aeronáutica, herói também do episódio dos 18 do Forte de Copacabana.
Na campanha atual o governador, por causa de sua compulsão pelas metáforas, ao sugerir que o PP e o PTB levaram muita grana para apoiar Osmar Dias, (um levara três quilos de alcatre e outro um quilo e meio de unicórnio dourado) e acabou irritando os agredidos, e de tal forma, que o amigo de Lula, Walter Sâmara, que havia alugado um imóvel de 3.600 metros quadrados na rua Trajano Reis, 538, para um comitê que uniria o presidente e Requião, mostrou sua irritação suspendendo o contrato e o colocando à disposição de Osmar Dias, cabeça de chapa da coligação a que está ligado.

Chapéu de palha
Quando dá para arrumar uma eventual ''mancada'' todo esforço de inteligência deve ser canalizado para esse objetivo. Na campanha de 1965, a primeira, e antepenúltima, do regime militar nos governos estaduais, Paulo Pimentel falou com algum desdém sobre um adversário que o atacava sistematicamente, chamando-o de ''Zé Ninguém''. Imediatamente se buscou ideologizar a expressão como se ela conotasse luta de classes, do rico para o pobre, e sido dirigida à plebe de um modo geral.
Então houve a intervenção de gênio mostrando Pimentel como o ''homem do chapéu de palha'', identificado com a massa de trabalhadores do interior, forma oblíqua de lembrar o lado mais aristocrático do seu adversário (o que era injusto porque não lhe cabia tal caricatura), o mestre Munhoz da Rocha. Ora esse ícone era expressão típica do mundo interior e os marqueteiros sabiam, como de fato aconteceu, que o oposicionista ganharia em Curitiba e Ponta Grossa.

Som de Lula
O vestuário ultrapassou o calendário eleitoral e de tal forma que assisti, em Barbosa Ferraz, numa visita do já governador Paulo Pimentel, uma faixa com o seguintes dizeres: ''Ao rei, a coroa; ao líder do povo e nosso governador, o chapéu de palha''. É uma prova da rapidez de uma resposta bem dada, pois também o ''Zé Ninguém'' criara comitês em vários municípios e ficou visível que como imagem imediata o ''chapéu de palha'' levava a melhor.
Pequenos senões podem decidir uma parada como aconteceu no segundo debate entre Lula e Collor em que este fez uma pergunta embaraçosa ao metalúrgico ao afirmar que tinha a certeza de que ele tinha um equipamento de som bem melhor do que o do caçador de marajás, insinuação que deixou o líder petista bem mais atarantado do que o Vanhoni na história do Procel.

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