Duas greves
Ontem tivemos duas greves e em cima de categorias hoje prejudicadas por força dos avanços tecnológicos: a bronca de sindicalistas fechando uma agência do Santander Banespa por acusação de assédio moral por parte da hierarquia gerencial, e outra em Paranaguá da Estiva, esta por causa da escala de trabalho por meio eletrônico. Esta acabou tomando um traço selvagem com bloqueio da BR 277, o que extrapola o campo da reivindicação, ainda que pretenda com isso evitar o acesso ao porto que já tem problemas demais em matéria de gestão.
Na história das lutas sociais são relevantes momentos em que tecelões fazem greve sob o comando de Roberto Owen, que daria origem ao cooperativismo como sistema. Tivemos, também, a quebra das máquinas por parte de Ervin Ludd que fundamentaria o ludismo sob a alegação de que elas, por sua modernidade, reduziam mão-de-obra. Uma das greves do ABC criou a operação ''cambalacho'' que entregava os carros com defeito, dirigida pelo sindicalista Meneghelli.
Mesmo em países avançados como os Esteites tivemos greve contra a tecnologia como a de um dos maiores jornais por causa dos avanços eletrônicos e que acabavam reduzindo o número de trabalhadores.
No caso dos bancários, a moeda de plástico e os caixas eletrônicos cortaram drasticamente postos de trabalho e a prensa em cima de gerentes para que atinjam metas inviáveis nas vendas de produtos é a regra de rotina.
Mas em Paranaguá há uma resistência estruturada contra o OGMO, Órgão Gestor de Mão de Obra, decorrente da legislação que modernizou os portos e que visa administrar o setor de forma compartilhada. É claro que à Estiva essa forma de gerir as coisas tira o poder de monopolizar a questão por se ver impelida a partilhá-lo com outras forças. Na verdade, a resistência é à modernidade, embora possa ter ocorrido alguma falha operacional nas escalas. E se esse for o caso, é preciso que seja discutido pontualmente e não na base do apelo ao alarido das massas no estilo democratista, perto do fascismo e bastante longe de qualquer sinal democrático.

Matemágica
Governos (e podemos nos valer dos de Lerner e Requião) normalmente lembram garçom de boate na hora de dimensionar seus feitos: botam na conta o CPF, o RG e a placa do automóvel do cliente. Lerner diz ter criado 900 mil empregos e Requião 500 mil. Quando convém aumentar a dimensão de um problema social atuam com desembaraço. Dá para lembrar dos 800 mil bóias-frias que ninguém contou.

Vices
De um modo geral os vices dessa feita não vicejam como reforço eleitoral ao contrário de uma tradição assentada desde 1965. Trocadilho não resolve como dizer que determinado partido precisa de um vice que servisse.

Câmbio
Simonsen costumava dizer que a inflação aleija e o câmbio mata. Luiz Antonio Fayet, ex-presidente do Banco do Brasil, do Badep e Banestado, cita o caso do algodão que empregava 230 mil trabalhadores (uma unidade a cada três hectares), há 10 anos e que com o dólar baixo passamos até a importar o produto. De 700 mil hectares cultivados passamos a 30 mil e mais de meio milhão de pessoas foram obrigadas a sair do campo para a marginalidade.

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