A política opaca

Não apenas, aqui no Paraná, o PSDB e o PTB saíram ''rachados'' de suas respectivas convenções. Nossas agremiações, tanto regionais como nacionais, têm donos que exercem um controle sobre os delegados com a destreza de coronéis.
Aliás, não faz muito tempo, uma jornalista de origem nordestina, que veio a Curitiba a serviço da revista ''Exame'', se mostrou surpresa com o fato de o poder político ter um predomínio sobre alguns dos nossos meios de comunicação pior do que o registrado em áreas do agreste. E não se trata de exagero porque lá, ao menos, as famílias se contraditam no processo eleitoral.
O personalismo aqui é outra deformação. Não pelo fato de Requião ser mais forte do que o PMDB, o que também se dá com Lula relativamente ao PT. Essas estruturas partidárias são fossilizadas e sua base intelectual, embora exista para despistar institutos doutrinários como o Pedroso Horta (PMDB) e Tancredo Neves (PFL), é zerada. Ninguém se liga em programa, mas o partido vive na emergência circunstancial das eleições.
Não teremos idéias, nem projetos nas eleições, mas o trivial variado de todos os dias e, ainda por cima, com o agito emocional para evitar o raciocínio.

Adversidade

Da mesma maneira que era uma ''furada'' a eleição de Requião sem disputa, a notícia do cancelamento do acordo PSDB-PMDB pelo diretório nacional tucano vai por à prova o fato de que Requião faz da adversidade um nutriente. Ele cresce normalmente nesse tipo de situação.

Prioridade
O prefeito Beto Richa é o maior eleitor do PSDB no Paraná, mas seu desempenho na convenção foi pífio em que pese ter recebido apoio não apenas de Osmar Dias no segundo turno da sua eleição como também de Jaime Lerner. Sua mente estava no autódromo e na Fórmula Turismo. Política estava no ''pit stop''.

CC-5
Só agora começam a aparecer resultados efetivos das investigações nas contas CC-5 que foram alvo de CPI que nada resolveu: a prisão de dez pessoas, dentre eles dois auditores fazendários, mostra que nas pistas oferecidas foi viável ir em cima do grupo Sundown. Se até o deputado José Mentor que comandava a CPI do Banestado foi alvo de representação, dá para uma idéia da patologia.

Fez falta
A ausência do senador Alvaro Dias na convenção do PSDB, por motivo da morte do pai, é apontada por muitos como causa de perda de votos, já que a diferença de apenas cinco indicava ser possível a superação.

Narco-CPI
A demissão do investigador Samir Skandar do serviço público mostra que a CPI do Narcotráfico demorou anos para mostrar resultados, já que os fatos se deram em 2000. Samir, preso há 10 meses, era um dos operadores de um esquema de desmanche e venda de veículos.
Na trajetória da CPI pegaram um presidente de legislativo do Espírito Santo, um dos maiores centros do crime organizado do Brasil. Também botaram as mãos no deputado Hildebrando Pascoal, do Acre, que matava adversários cortando-os com motosserra. Também o ex-deputado Toni Garcia apareceu num dos relatos.

Folclore
Ficar ''sub-judice'' é outra fatalidade que persegue Requião e que quase sempre o favorece. Já foi afastado pelo Diretório Nacional do PMDB e acabou voltando. Já foi cassado pelo TRE e conseguiu terminar o mandato. Não se pode negar que tem ''know-how'' apuradíssimo.

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