LUIZ GERALDO MAZZA
Porto, ainda
Cada vez que se argúi um problema do Porto de Paranaguá a resposta vem em termos políticos, primariamente ''ideológicos'' na base do ''é nosso'', uma tolice porque os terminais são nacionais e federais, ou porque desejam privatizá-lo, outra empulhação porque o setor público é delimitado na Lei 8630 e graças ao nível de exploração privada é que ganharam eficiência e derrubaram de forma significativa o custo Brasil nas exportações.
Novamente, e é a segunda vez este ano, a Capitania dos Portos se viu obrigada a suspender as operações no Canal da Galheta em função do deslocamento da Bóia 4 por causa da elevação das marés. Mais uma vez a administração temerária tentou, como fizera na anterior, minimizar a gravidade da situação que afinal punha em risco a navegação. O caso de agora é tão grave que uma embarcação teve que fazer manobra de alto risco porque a sua dimensão era de 30 metros num espaço de 50 metros. E foi em cima do alerta da praticagem que a Marinha de Guerra, para evitar acidentes, determinou, desde a madrugada de anteontem, a suspensão da navegação na barra.
Apesar de todos os alertamentos da própria Marinha e de operadores o Porto sofre o risco de um isolamento a qualquer acidente no canal e nos berços assoreados e carentes de dragagem urgente, sempre protelada. Pelo jeito, nem a explosão do navio VicuÀa serviu de alertamento e que pode ter consequências graves no julgamento em curso no Tribunal Marítimo. Esses incidentes ganham repercussão internacional e de cara aumentam custos em seguros sem falar na possível restrição de demanda.
Muares
Quando Gustavo Fruet, na convenção do PSDB, sugeriu que Requião seria o Cavalo de Tróia do partido, levando-o à dissolução, muitos acharam que outro cavalo deveria ser lembrado, o Incitatus, que foi nomeado senador pelo taradão Calígula. Convenção partidária também é cultura. Tanto quanto a Copa.
Estupro
Tanto o discurso de Fruet como o de Rossoni indicavam que o PSDB sairia rachado com o temor da vitória antecipada do Hermas Brandão, já revelada no palmômetro como programa de auditório. Rossoni: ''isso'' (a aliança com o PSDB) ''não é namoro, nem noivado, nem amizade: é estupro.''
O 'poder'
Em certa medida a convenção do PSDB mostrou que o calor do poder é abrasivo especialmente quando se unem os aparatos do Executivo e do Legislativo com sua capacidade de mobilização e cooptação. Assim também se deu em 1965 no caso da convenção do PDC que, pela pressão de Ney Braga (não dá para comparar gentes daquela época, brilhante, com os anões de agora) e seus seguidores consagraram apoio a Paulo Pimentel.
O curioso é que as melhores reações contra a pressão do poder ocorreram justamente no regime militar: Maluf derrubou o dono do Bradesco e presidente do São Paulo Futebol Clube, em convenção da Arena para o governo de São Paulo e o coronel Mario Andreazza na do PDS para a disputa da presidência da República. O que sairá do ''racha'' do PSDB por aqui não se sabe. Pode até nada acontecer, já que a mediocridade é dominante.
Naquela do PDC, do qual Ney era líder nacional, o Affonsinho Camargo era o candidato das esquerdas e depois iria com José Richa e outros montar a dissidência pró Munhoz da Rocha, derrotado por seu ex-cunhado Pimentel.
Um dos vencedores foi Rafael Iatauro, que está agora com Hermas Brandão.





