LUIZ GERALDO MAZZA
Remédio quase vencido
Pelo jeito, ou se consolida ou se esvai a candidatura de Osmar Dias por decurso de prazo. Como tentou estabelecer condições impossíveis para decolar como expressão maior da oposição corre o risco de, como os remédios, já que era assim encarado, perder o prazo de validade.
Nunca se viu tanta colher de chá e tanta moratória concedida a um suposto disputante do governo: ora o peso era o da espera de o seu partido desistir de concorrer à presidência, ora o aguardo tanto de sua situação clínica quanto o das interpretações quanto à verticalização e também, como se firmou ontem, uma nova delonga para que tente articular uma frente de oposições até o dia 30.
A expectativa criada em torno de sua candidatura, em termos oposicionistas, apesar da sua relação próxima de Roberto Requião (o que até se justifica porque o atual governador lhe deve todo o esforço de resistência nas ruas e em comícios em defesa do seu primeiro mandato cassado pelo TRE), ganhou um traço de Hitchcock, tal o suspende produzido.
Muitos perderam a paciência e acham que Osmar não percebeu que essa hesitação pode arruinar a sua carreira, tal o potencial que tem agora para a postulação. Como até na hipótese da derrota mantém o seu mandato senatorial tudo aparenta, não fossem as exigências de superação de todos os riscos, que está com a faca e o queijo na mão, ainda que disponha de um mínimo de tempo na tv e no rádio.
O que anima a oposição é justamente a taxa de rejeição de Requião até porque exposto demais e contundente também nas suas intervenções. Dá coragem não apenas a Rubens Bueno, do PPS, como também ao senador Flávio Arns, do PT, que, acoplado a Lula, pode tranquilamente decolar e favorecer ainda a candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann, e mais ainda a bancada estadual e federal nas proporcionais.
Ceticismo
Apesar de dilatar o prazo para decidir se é ou não candidato, o senador Osmar Dias vai encontrar uma barreira de ceticismo, tantas as delongas até aqui adotadas. Já perdeu, inclusive, muitos dos que o preferiam e para esses nova moratória não passa de pretexto para sugerir que não perdeu o garrão.
Pré-encolhido
A tese da eleição de Requião-Hermas Brandão (a do pleito pré-encolhido) já não está na moda, embora o esquema de informação dirigida. Requião tem tudo para jogar claro e ligar-se a Lula declaradamente. E da parte do PSDB fica visível que a tese da candidatura própria é o melhor caminho, posto que tanto Gustavo Fruet como Alvaro Dias não mostrem disposição ao desafio.
Regra
Se a norma de impedir que estatais recebam financiamento do BNDES prevalecer, as últimas jogadas da Copel podem ser altamente perniciosas, tanto a do acordo com a Triunfo na compra das ações (ágio de 123,25%) para ficar com o comando de uma usina de baixa geração, a de Santa Clara, com seus 150 MW), quanto o mais recente em relação à El Paso na Usina de Gás de Araucária. Aí ainda tem como parceira outra estatal, a Petrobras.
Folclore
Valdir Rossoni, presidente do PSDB, pediu pela manhã que Osmar Dias anunciasse a sua candidatura que o partido o apoiaria de maneira informal. Como o senador foi à TV e pediu justamente o que lhe haviam oferecido fica mais ou menos demonstrado que teria superado todos os limites da tolerância. Gol para Requião, embora sem aquele entusiasmo da defesa do seu mandato então cassado pelo TRE em função do Ferreirinha e comandado pelo Osmar.
Corrupção
A bandeira brasileira no topo da Igreja das Mercês é menos pela Copa do que pela bronca do Frei Alvadi, o pároco, contra a corrupção no país.





