LUIZ GERALDO MAZZA
Empulhação por método (II)
Semana passada bati um papo com o corpo funcional do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). E relatei as inúmeras vezes em que decisões do Plano Diretor ou de normas dele decorrentes foram burladas. Aliás, algumas sugestões eram inviáveis como a de desaconselhar o transbordamento da BR-116 (ora futuro Eixo Metropolitano) que já estava superada em toda extensão. Uma delas, clássica, a do Shopping Mueller em que um simulacro de restauração serviu para garantir o empreendimento. Agora o mesmo empresário é um dos beneficiários da tortuosa cirurgia na pracinha do Batel.
Vamos a outras: o prédio em que funcionava a fábrica de pianos Essenfelder estava tombado por sua significação histórica, mas uma canetada do prefeito a tornou sem efeito. A guerra contra o Carrefour e o Shopping de Pinhais, que não tinha o menor sentido por estar localizado em outro município e ainda por cima em área de preservação (a dos mananciais), foi comandada no suposto interesse de defender o comércio no centro. Caso de lobysmo oficial.
Em estudos técnicos havia a declaração formal, quando se pretendeu mudar o modal de transportes da cidade, de que o sistema sobre pneus estaria esgotado nos anos setenta quando até hoje é o dominante. Um certo exercício de ceticismo e, sobretudo, desconfiança em torno desses centros de decisão, tão mitificados, faz bem à saúde física e mental da cidade.
Dissimulação
Observe-se, aliás, que a maior parte das clientelas que gravitam em torno do poder municipal continuam as mesmas: a Constran, de Osni Pacheco, alugando carros para o município; a Consilux, beneficiária dos radares; o Instituto de Informática de Curitiba que dizem pertencer a um parente de ex-prefeito; dá para incluir aí o transporte coletivo submetido a pressões como a ameaça de licitação, para manter a tarifa, o que já mostra seus efeitos na degradação do sistema. E assim é com o lixo, agências de propaganda, seguros, numa operação que por mais que se tente esconder é facilmente revelada.
Melando
O PT requianista é mais forte do que aparenta. Não apenas é mais Requião do que Lula quando aceitou passivamente as críticas do governador ao presidente, como acha que essa é a saída para evitar perdas nas proporcionais. Esse grupo quer que Lula, em sua vinda, peça a Requião que não aceite o palanque tucano. Há os que defendem fidelidade à candidatura do senador Flávio Arns como o Rosinha. Como porém esse quase sempre fica ao lado dos perdedores nas disputas internas é de desconfiar-se que se pretende ir além da ''cristianização'' do candidato.
Folclore
Um dos argumentos sibilinos do governador para ser cortejado é exigir que os programas de Lula ou de Alckmin tenham ideologia não neoliberal. Na verdade a prática de Lula é mais ortodoxa e submissa ao FMI do que a de FHC e nem por isso teria perdido a imagem de ''esquerda'', gloriosa tolice. Os candidatos lembram uma disputa de efervescentes entre Alxa Seltzer e Sonrrisal. Só falta lembrar que entre os remédios há mais opções como Sal de Andrews e Eno.
Segurança
Pesquisas estão indicando a falta de segurança ainda como o problema máximo da população, seguida, distanciadamente, de saúde e emprego. O governador se exaspera com a fraqueza desse item do bolo eleitoral que foi fatal no pleito de Curitiba e que apesar das aparências pode alterar o quadro. E ele tentou se envolver pessoalmente assumindo (o que é inconstitucional e poderia decretar a perda do mandato) a pasta da Segurança como se isso bastasse para acabar com a banda podre. A extorsão com uso de menores recente o demonstra cabalmente.





