Estamentos e governo

Governos se tornam mais medíocres à medida em que levam instituições técnicas e científicas a repetir seus chavões promocionais e, pior do que isso, a embarcar num triunfalismo irresponsável. Ficou visível o aperto recente aplicado na Fundação IBGE que se viu constrangida a mudar sua metodologia em relação a indicadores sociais. Um deles foi a observação de que entre pobres havia tanta massa de gordura quanto à imaginada no Ronaldo Fenômeno.
No governo Lerner uma publicação do Ipardes sobre conjuntura quase deixou de ser publicada pela cobrança da hierarquia vertical. Houve reação da imprensa e de alguns quadros que não se intimidaram e o Index foi esquecido.
Com um governo autoritário como o de Requião isso ocorre com frequência e são escassos os gestos de resistência. O anúncio de 500 mil empregos em out-door é tão verdadeiro quanto o de Lerner que citava 900 mil. Empate no delírio.
Como é que se pode ter planejamento, minimamente racional, com esse tipo de interferência?

Discurso
Há empresários-políticos que, por um ato falho, poderiam iniciar o seu discurso assim: ''meus penhores e minhas penhoras''.

Investimentos
Publicação recente contestou a notícia de que o governo estadual tivesse investido mais de R$ 5 bi. Isso aí, nem juntando os quatro anos, por uma razão singela: no máximo, do orçamento, para investimentos tem havido a média de 10% do total. Despesa de custeio, como pagamento de servidores, não pode ser tida como investimento. Mas tanto Lula como Requião incidem no exagero.

Poder de compra
Há um mistério nessas razões de marketing que levam Curitiba a ser indicada como campo de provas para lançamentos. Uns a atribuem ao rigor analítico do mercado, outros à renda concentrada nas classes ''A'' e ''B''. Há 15,22% de classe ''A'' (mais de 15 salários mínimos) e 29,02% na ''B'' (mais de 5 a 15 salários mínimos).
Para contestar a propalada resistência há o fato evidente de que se liga e rapidamente em qualquer modismo. Nos anos 70 havia três tobogãs no Rio, quatro em São Paulo e dois em Curitiba. O Shopping Estação, em sua feição original, era um gigantesco empório de lazer. Obviamente não emplacou, pois seu dimensionamento exigiria um mercado como o de São Paulo.
O fechamento recente de seis hipermercado mostra essa megalomania.

Folclore
O chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, é o comandante da operação para juntar o PSDB ao PMDB e eleger Requião. Paulo Pimentel discorda: acha que o PMDB tem que se aliar com o PT. Quem lançou Pimentel ao governo, anos sessenta, foi Rafael Iatauro em manobra parecida. Iatauro e Aníbal Khury eram do PTN e criaram o fato consumado da candidatura de Paulo que o PDC acabou ungindo. E Rafael foi tão dedicado que andou de caminhão distribuindo batatas pelo noroeste para promover o então secretário da Agricultura na gestão Ney Braga na promoção denominada ''Alimentos para o Brasil''.

Em código
Cândido Gomes Chagas prova na ''Curitiba em Páginas'' que o governo Requião se vale de um subterfúgio para esconder dispêndios com viagens ao exterior e boa parte delas do Museu Oscar Niemeyer. Em lugar de indicações se vale do ''conforme especifica''. Essa nem o Champolion e muito menos Indiana Jones decifrariam.

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