LUIZ GERALDO MAZZA
Mercado e planejamento
Recentemente Londrina enfrentou o problema: a decisão urbanística não deve, necessariamente, olhar como prioridade um interesse do mercado. Pode até não ser a decisão correta a havida em relação à demanda da rede de supermercados Wal-Mart sob o fundamento de que se pretendia usar o espaço para um teatro. O fato é que sob o ponto de vista filosófico a decisão é pertinente.
Pois, em Curitiba, apesar do proclamado modelo urbano, são muito comuns as decisões que, escudadas em razões culturais, acabam favorecendo os interesses econômicos. Um deles o caso específico do Shopping Mueler, cuja estruturação e funcionamento subordinou o esquema da cidade. Isto é, razões mercantis não se subordinaram ao Plano Diretor e sim o contrário.
Agora está aberto um novo debate em torno da pracinha do Batel, incorporada à história e cultura do bairro, sujeita a ser cortada ao meio supostamente para atender necessidades da circulação. O fato é que novamente há um estabelecimento programado na região e que seria um dos beneficiários dessa decisão.
No primeiro caso um simulacro de restauração no edifício histórico em que funcionava a Fundição Mueller, feita para contornar a norma de recuo, serviu de mimetismo para a operação. Agora a exploração de outra dependência de caráter arqueológico, o Bosque da família Gomm, respalda o shopping. Como se vê, em nosso Paraná não são apenas os candidatos que não se renovam (Requião, Alvaro, Osmar, Rubens Bueno), mas também métodos e a mesma linha de interesses.
Planos furados
O Shopping Mueller foi absorvido pela cidade, a ela se integrou, mas tem esse histórico de origem. De um modo geral, Curitiba, embora tenha criado parques e gerado a maior taxa de área verde por pessoa do país, estimula fortemente os empreendimentos econômicos e de tal forma que foi premiada nesse item pela revista ''Exame''. Haveria rigor, quer da autoridade, quer de empresários, na mania dos mega-empreendimentos?
O grupo Sonae teve que recuar no hipermercado que bolara para o Atuba em área do Jockey Club como se viu obrigado a ceder a Rede Mercadorama ao Wal-Mart. Mas não é só isso: o grupo Pão de Açucar desativou seis hipermercados na Grande Curitiba. Imprecisão em estudos mercadológicos, concorrência desagregadora, afinal o que aconteceu?
'Ideologia'
Quando se constata a gestão temerária do Porto, o governo responde com ruído ideológico, com a questão da privatização, como se os terminais brasileiros, em função da Lei 8630, já não tivessem as suas áreas, que realmente funcionam, entregues a empresários. Outra encenação é a do ''Porto é nosso'' quando é da União e simplesmente delegado. O pior é que o Porto do Rio Grande, que tem uma estrutura jurídica semelhante a do Paraná, faz o dever de casa e está agora fazendo a dragagem com remoção de 2,6 milhões de sedimentos ao custo de R$ 17,5 milhões.
Como o governo não se mexeu no porto está agora sob o risco de interdição da Capitania dos Portos que, a qualquer momento, pode determinar a redução do calado, o que teria efeitos desatrosos em sua procura e custos.
Outra caricatura ideológica é a da ''soja pura'' que não existe, pois depende de defensivos. A mais próxima da pureza seria a orgânica, impensável e quase um quixotismo, em função da escala.
Folclore
O fato de Requião ter aparecido no programa eleitoral do PMDB com o seu irmão Maurício e a dirigente da Fundepar, Sandra Turra, mostra uma face mais serena do governador. É que dias antes, na Unibrasil, o governador tivera um atrito com o marido da sua auxiliar na área da Educação, Luis Henrique Bona Turra. Houve um esforço para negar o episódio que acabou amplamente confirmado: tanto nessa ocasião, como na anterior na Assembléia, Bona Turra exagerou em declamar o seu currículo, sabidamente brilhante.





