LUIZ GERALDO MAZZA
Começou a obscuridade
A notícia política do dia era uma suposta carta que o secretário de Educação, Maurício Requião, teria enviado ao deputado estadual Ângelo Vanhoni, cheia de denúncias e reclamando de ingratidão por ter o petista atuado na batalha da PEC sobre nepotismo. Vanhoni alegava não ter recebido a tal mensagem e o próprio Maurício igualmente negava a autoria.
Tratava-se, portanto, de documento apócrifo que visaria, segundo a visão do governo, dividir a facção do PT mais aproximada ao Palácio Iguaçu. Na verdade os termos da carta, com relação a Vanhoni, não batem: o deputado, juntamente com Pedro Ivo, Natálio Stica e Hermes Fonseca foram votos minoritários na reunião da bancada que por maioria apoiou a proposta de Tadeu Veneri.
É uma amostra do que será a campanha eleitoral e bastante amena diante do que está por vir.
Trote
Alarme de que havia uma bomba ontem no Tribunal de Contas provocou o ritual de sempre: um pouquinho de pânico, esvaziamento do prédio. Bomba mesmo seria um ato glosando contas do governo. Jamais o TC as desaprovou, a não ser o caso clássico de Haroldo Leon Perez, que já tinha renunciado quando isso aconteceu.
Itaipu
A batalha de Itaipu vai ter continuidade: um delegado da Polícia Federal, atingido por declarações do deputado Luis Carlos Hauly, vai pleitear licença para processá-lo.
Malha alternativa
Agora uma nova sigla em ação em nome dos sem terra, um Movimento de Libertação dos Sem Terra, apelou para o vandalismo e invadiu instalações da Câmara Federal. A leniência de autoridades, de um modo geral, em relação ao MST e congêneres, apesar dos crimes que praticam, acaba nisso. Inclusive na manifestação de ontem alegavam que se tratava também de reação às fraudes e à corrupção. Uma falange udeno-basista era só o que faltava.
A malha alternativa está mais forte do que a legal: vê-se aí e também nas ações do crime organizado. Só falta uma pastoral carcerária, em nome da validez de princípios humanísticos nos presídios, que é relevante defender, respaldar as rebeliões tocadas pelo PCC, Comando Vermelho etc.
É o caos, a anomia, a ausência de referenciais institucionais.
Autofagia
Bruno Maranhão, secretário nacional de Movimentos Populares do PT, comandou a baderna de ontem na Câmara Federal e, no meio da tarde, já havia deputados querendo o relaxamento da prisão. O Brasil é refém e o presidente não sabe nem de mensalão, nem dessas. O fato lembra a fase mais selvagem do PT que Luísa Erundina, como prefeita, teve que controlar em São Paulo quando na CMTC se ensinava como parar o sistema de transporte.
Folclore
Ontem circulou uma carta pesadíssima, nos meios de comunicação, atribuída a Maurício Requião contra o deputado Ângelo Vanhoni em decorrência ainda das PECs sobre nepotismo. Como tinha jeito de armação, o destinatário alegava, já ao escurecer, que não tinha recebido carta alguma. Como o ''non sense'' é o senso normal das coisas que se dão na política local ficou tudo no suspense.
E que rima com ''non sense''.
Testemumunha
Testemumunha é a testemunha da mumunha que não foi consumada. E como não foi consumada não houve mumunha.





