LUIZ GERALDO MAZZA
Nepotismo tatuado
Ao criar dificuldades para a tramitação da PEC do nepotismo, o governador acabou ''tatuado'' pelo tema e o pautando para a campanha eleitoral. O trauma daquela sessão no Teatro Guaíra quando foi vaiado por seus aliados do MST e da Via Campesina num momento inadequado até para mostrar suas afinidades com o bufo Hugo Chávez parece não ter sido suficiente.
A retirada das emendas, depois do parecer do jurista Romeu Bacellar, que admitia o reexame do assunto e respaldado em julgado do STF, teve o condão de colocar mal o governo num assunto do qual não pode escapar: o parenteralismo é um fato que alcança dimensão incomparável a outras unidades federativas.
Como há a hipótese de criar uma pendência que leve o assunto ao STF até em função daquela decisão mandamental de 8 a 1 que confirmou o entendimento de que o nepotismo fere dispositivos constitucionais vistos como auto-aplicáveis, dá para perceber que o assunto não se esgota com manobras internas. Há ainda o pleito do PPS junto ao Conselho do Ministério Público que se obriga a dar uma resposta clara ao assunto e em sessão aberta e não sigilosa.
Tenho o ponto de vista de que o dispositivo referido da moralidade e da impessoalidade é abstrato demais para ser olhado como cláusula pétrea e que carece de legislação complementar.
Conflitos
Dados que o governo paranaense manipula volta e meia são contestados e não apenas aquela empulhação dos 500 mil empregos. Agora o governo estadual diz ter criado 141 mil empresas, enquanto o IBGE afirma que só temos 35.844 novos empregadores. Se assim for, o governo criou duas categorias novas, a dos patrões sem empregados e a dos empregados sem patrões. Macondo vive.
Simon
Há várias lideranças mobilizadas no PMDB em favor do senador Pedro Simon como candidato presidencial. Dentre eles o paranaense Léo de Almeida Neves que crê até na coligação com o PDT em favor desse nome. Bem melhor que Garotinho, mas sem antígenos suficientes para conter os governistas Sarney e Calheiros e os oportunistas que desejam fazer acordos de toda ordem.
Folclore
Com a PEC, que pode ser abreviatura de ''pecado'', de sua própria autoria, retirada por Requião vimos que ele tratou o assunto como aquele brinquedo assim cantado ''escravos de Jó// jogavam caxangá// bota, tira, ponha ficar// deixa ficar// guerreiro com guerreiro// fazem zigue zigue zá//''. Bota emenda pra tirar a outra e deixa a parentada ficar que é, afinal, o que interessa. E não serão os escravos de Jó os eleitores?
Colagem
A Band deu uma interpretação interessante à retirada da PEC de Requião botando no ar a vaia histórica do Guairão e com discurso e tudo o mais.





