LUIZ GERALDO MAZZA
Ruído como arma
O emprego do ruído na comunicação no Paraná tem servido para dissimular manobras oficiais com prejuízo: ocorreu com o pagamento de R$ 150 milhões à Petrobras a partir de janeiro de 2010 (data próxima do último ano do segundo mandato, hipótese da reeleição) pelo não uso do gás disponível na Usina de Araucária. Assim se deu também com o contrato de dragagem do porto pela Bandeirantes que recebeu por serviço não prestado. Dá-se com o caso da Usina de Gás de Araucária com a surpreendente pressa do governo em buscar uma solução para um problema que ele próprio amarrou, agora sob a ameaça de uma execução na Corte Arbitral de Paris de US$ 800 milhões que levaria a Copel para as cucuias sem considerar ainda os títulos podres em poder do Itaú.
Perderá certamente, a médio ou longo prazo, as demandas contratuais e essas ações temerárias são colocadas como expressão de luta contra o imperialismo e transnacionais ou ainda como gestos de austeridade, uma embalagem ideológica ao gosto dos primitivos. E de repetidas, conforme Goebbels, aceitas.
O ruído de agora é o dos fundos de pensão e de uma suposta ação de gangues: descreve-se o método, se é que existe, mas os nomes dos bancos não aparecem e o noticiário a respeito é vago, impreciso, desconexo. Como nas paredes está o ''teaser'' da moda ''Requião tem razão'' dispensa-se a explicação e qualquer detalhamento racional. Isso funcionou muito na Itália, Portugal e Espanha em regimes semelhantes durante muito tempo. Mas não todo o tempo.
Mais ruído
Como há um pedido de intervenção nos portos do Paraná em função da gestão temerária o que se providencia: mais ruído agora em torno do velho refrão do ''porto público'' e do ''porto é nosso'' quando se sabe que todos os terminais do Brasil estão submetidos a uma lei (8.630) e que os torna operativos e mais eficientes com a amplitude da privatização. Os resultados: Paranaguá neste quadrimestre teve queda de 12% contra alta de 39,11% em Santos e de 108,86% em São Francisco em relação à igual período do ano passado.
Arns, mais de 20%
Há convicção entre dirigentes petistas que o senador Flávio Arns superará, de longe, os 17% obtidos pelo padre Roque na eleição passada. Embora haja forte infiltração requianista no partido e um certo risco de ''cristianização'' há quem acredite que Arns têm chances de ir para o segundo turno, ainda mais se Osmar Dias estiver fora da parada.
Ofensiva
Depois de haver provado que tem mais de 50% de participação nas obras feitas no Paraná, o PT conclui agora um trabalho para mostrar o nível de contribuição em Curitiba também em todas as áreas como saúde, saneamento, habitação, iluminação, educação, investimentos empresariais e turismo.
Folclore
Requião esteve sábado, de novo, na chácara de Osmar Dias. Um crítico observou: Osmar se reúne mais com o adversário do que com os companheiros. O pior se dá com Alvaro Dias que se atravessa para ser candidato a governador e agora, que tem essa condição, corre da raia, optando por um acordo branco que novamente o favoreça. A crise é de caráter.
Rolo compressor
Ontem o rolo compressor operou em dois fronts: no legislativo para acertar a usina de gás e no Conselho do Ministério Público para não reacender a questão do nepotismo. Hoje, o jurista Romeu Bacelar entrega parecer positivo sobre a pertinência de debater o assunto na legislatura atual. Dá caldo outra vez.





