LUIZ GERALDO MAZZA
Exercício de lógica
O que é mais viável: um policial infiltrar-se e ficar a favor da ordem no PCC ou qualquer dessas falanges criminosas ou o crime organizado estar mais do que infiltrado na malha legal?
Quando da CPI do Narcotráfico deu para colher elementos fundamentais dessa permeabilidade do Estado aos delinquentes. A tolerância com que políticos se valiam de relações com várias das linhas de montagem do crime estruturado como o tráfico, desmanche de automóveis, jogos, lenocínio, roubo de cargas mais do que justifica a erupção de situações como essa de São Paulo.
Como instituição, tida como informal, o crime parece ter maior coerência interna no seu senso gregário. Enquanto o Congresso absolve mensaleiros com a maior tranquilidade e tem porosidade para que suas decisões sigilosas em vt sejam vendidas aos bandidos, a ''justiça'' no interior do PCC, do Comando Vermelho, é a das guerras e das revoluções, fulminante e sumária.
Mais ou menos
País do ''jeitinho'', do ''rouba, mas faz'', do corrupto simpático e sedutor, como os temos todos, precisamos de uma psicanálise coletiva para entender como permitimos que nossas instituições ficassem tão flácidas e porosas. Imaginem o poder que desfrutava o deputado cassado, Hildebrando Pascoal, aquele que matava adversários com motosserra no Acre, que foi comandante da PM e dá para presumir os contatos que mantinha com os vários poderes até porque não se pode aceitar que o Judiciário nada enxergasse das suas façanhas.
Dias passados lembravámos de um depoimento de um japonês que veio até nós no Kasatu Maru, ainda criança, e que retornou ao seu país em viagens algumas vezes, razão pela qual estava em condições de responder sobre os diferenciais de civilização e comportamento entre o país de origem e o adotado. ''Lá no Japão'' disse o idoso ''as coisas são sim ou não. Aqui no Brasil muito complicado porque tem o mais ou menos''.
O mais ou menos honesto, o mais ou menos bandido, o mais ou menos corrupto esses valores acabam de erigir uma nação do mais ou menos.
Desespero
Anuncia-se uma greve de hospitais por causa do não pagamento de contas pelos governos e a necessidade de revisão de tabelas de honorários. Não são apenas os hospitais que se encontram na UTI. Nossas instituições de um modo geral, tal o grau da necrose que as atinge, lembram mortos insepultos.
Na verdade quem pretende fazer greve são os funcionários que ouvem dos patrões as razões pelas quais não podem ser atendidos.
Folclore
Cresce a ala de inimigos do Giovani Gionédis no comando coxa. Como dizem que anda cercado de guarda-costas, o que é um exagero, extrapolam mais ainda ao afirmarem que ele está tão desaparecido que se suspeita que esteja naquele boneco do Vovô que fica no campo para animar a torcida. Haja crueldade.
Bengala
Um dos destaques da Feira do Livro em Curitiba tem sido o escritor Ives Hublet, aquele que deu a bengalada em Zé Dirceu. Como em toda entrevista as perguntas dominantes são sobre o incidente, mais do que a respeito da sua literatura ou da sua atividade didática, venderia mais bengalas que livros.
Seria algo como o ocorrido com a propaganda dos cigarros Marlboro que em Portugal, segundo piada constante, vendeu mais cavalos que tabaco.
Esfinge
Como a Esfinge que devora quem tenta decifrá-la, o suposto chuncho com fundos de pensão logo sai do noticiário por excesso de fantasia e bravata.





