Anomia generalizada

Há tempos defendo a tese de que a anomia (falta de referências legais) tomou conta do país. A permeabilidade das instituições ao crime, ao desvio, a franquia dos políticos às gangues, como se viu no andamento da CPI do Narcotráfico e agora com a prisão do comendador Miguel Arcanjo, tudo favorece a escalada.
As salvaguardas são frágeis, o Escadinha do Rio era frequentador da casa de integrantes da cúpula do governo carioca, a facilidade com que ocorreram as operações do mensalão no parlamento nacional, essa frouxidão sistêmica em relação às ousadias do crime organizado (o roubo das armas do Exército é paradigmático e com o detalhe de que ficou a suspeita, registrada no noticiário, de possível acordo com o narcotráfico, o que se sugere ter havido agora novamente em São Paulo), tudo isso, enfim, gera um caldo de cultura.
Os episódios de São Paulo apenas deram uma dimensão ciclópica aquilo que se tornara rotina, ainda que dissimulada em ocorrências pulverizadas por todo o país. E a medida do terror, que tomou conta de uma das maiores cidades do mundo, em muitos aspectos superior ao que se dá no Iraque, pela constatação de que o crime está mais organizado do que as instituições formais, exige revisão geral na questão do Judiciário, das polícias e do combate à delinquência, mas também do sistema prisional degradado na superlotação das cadeias públicas, servindo de estímulo à resistência até por falta de alternativa ao detento.
Quem sabe a consciência de que estamos em guerra civil diante das vítimas da violência e da condenação da megalópole a ficar mergulhada no caos da ausência de transporte público mostre aos políticos desse país que a tolerância com as agressões sistemáticas à lei e às regras do jogo democrático estão na raiz desse processo que tende a acumular energia pela ausência do Estado. Há tanta gente querendo mais Estado justamente onde não é necessário e não percebendo que a contrafação do governo onipresente é o seu anverso, o seu contrário.


Radiografia

Paranaguá vive um dos piores ciclos de sua economia com reflexos sociais danosos no desemprego, retração nas compras e a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá, Aciap, fez publicar carta aberta em defesa da cidade. Resumindo é aquilo que todos sabem: a gestão temerária dos portos, a ausência de investimentos, a cultura do conflito com operadores e sequelas que levam ao desemprego e à recessão.


Placas

Segundo conversa frequente nos meios especializados as placas contratadas pela prefeitura de Curitiba para sinalizar referências aos conferencistas da ONU deveriam custar pouco mais de 20% do que foram faturadas por unidade.


Folclore

O Paraná é uma ilha não apenas para os transgênicos. Segundo o governador, a rebelião de cadeias públicas, em várias cidades, é mera coincidência, nada tendo a ver com o estopim paulista. Somos vacinados contra o PCC com a mesma eficiência que se dá com a raiva. A canina, é claro.


Perplexidade

Pra quem ambicionava ser líder da América Latina e perdeu para Evo Morales, da Bolívia, é de lascar. Índio queria apito e está apitando.

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