LUIZ GERALDO MAZZA
Requião não sabia
Há uma tendência das pessoas mais politizadas acharem que Lula sabia de tudo, o que não é o entendimento dos mais simples. O governador Roberto Requião provavelmente não tinha a menor noção de como operava a engenharia financeira que pagava sua ex-empregada Elza Chrispin, hoje o fundo dessa representação do Ministério Público Federal contra o deputado Nereu Moura, o ex-deputado Luis Claudio Romanelli e assessores legislativos. E tanto não tinha conhecimento dos detalhes que é de sua autoria a denúncia tanto à Receita Federal como ao Ministério Público que deu origem à representação.
Elza Chrispin recebeu uma notificação da Receita Federal informando-a que tinha direito a uma restituição de R$ 1,9 mil. E ao levá-la a Requião este achou um absurdo pelo fato de a doméstica não ter ganhos sequer para fazer uma declaração negativa. Revoltado, achando que estava diante de mais uma prova de que o governo FHC não funcionava e num setor vital como o da Receita, fez, bem ao seu estilo, um discurso contundente na Câmara Alta, atingindo o xerife da área, Everardo Maciel, e pedindo que tanto o organismo fiscal como o Ministério Público tomassem pleno conhecimento do assunto. Tomaram e isso é tanto verdade que a denúncia está aí juntamente com procedimentos fiscais. O tal discurso é de 16 de agosto, mês dos desgostos, de 2001.
Desdobramentos
O ''Piso Social Complementar'', a concessão de Requião a servidores ativos e inativos com o teto de R$ 580, está fundindo a cuca dos intérpretes. É que na maioria dos casos dá com uma das mãos e tira com a outra. Prestidigitação, já que o piso da esmagadora maioria está nesse patamar.
Promessa
Dirigentes da Fiep prometeram ontem que vão à Justiça contra o salário mínimo regional por sua clara inconstitucionalidade por fugir dos parâmetros fixados na Lei Complementar 103 de 2000 que tornava o benefício limitado a categorias que não tivessem acordos coletivos de trabalho. O ato do governo, ao impor o valor para contratos que tivessem piso inferior, derrubou o princípio chave da democracia: a livre negociação.
Coragem
O vice-presidente da Fiep, Roberto Karam, condenou a falta de coragem dos deputados em aprovar, como rolo compressor, o mínimo regional. Esquece que o presidente da entidade, Rocha Loures, foi o primeiro que de forma açodada apoiou a inciativa, acostumado que está a ratificar o que Requião pretende.
É verdade que ao ser informado pelas câmaras setoriais do impacto na economia tomou posição firme contra a benesse que terá efeitos colaterais como se dá até com remédios bons. Com o uso dos meios massivos de comunicação, a difusão de volantes nas ruas e todo o aparato da claque, só um idiota votaria contra, a não ser que não postulasse a reeleição. Se forem ao Judiciário, cumprem o seu papel. E é isso que importa. Se não forem, ficam com o monopólio da covardia.
Folclore
Deputados de oposição deitam e rolam na questão da Usina de Gás de Araucária e diante da crise por causa da expropriação da Petrobras na Bolívia lembram que Requião dizia que ela era uma bomba e explodiria e que agora, se não houver negociação razoável, o que é difícil, vira um elefante branco.
Portuárias
No quadrimestre deu para perceber os efeitos da gestão temerária nos portos: no de 2005-2006 em movimentação de soja Santos teve alta de 39,11%, São Francisco de 108,86% e Paranaguá uma queda de 12,07%. Em tonelagem Santos subiu 844.820, São Francisco 729.494 e Paranaguá uma queda de 223.837. A queda já se observava de 2004 a 2005 da ordem de 7,32% negativos. Mil empregos são contabilizados nas perdas.





