LUIZ GERALDO MAZZA
Ausência de preceptor
Todos os governos paranaenses, mesmo os dirigidos por intelectuais, como se deu com Zacarias de Góes e Vasconcellos ou o de Munhoz da Rocha, contavam com estafes, capazes de responder a questões ''urbi et orbe'', da região e do mundo. O tom sentencial com que o governador fala de coisas que não domina como transgênicos, resistência a espécies vegetais exóticas (com o que entra de sola em Charles Darwin) e as heresias geopolíticas como a de apoiar a Bolívia numa expropriação possível de bens brasileiros dá a idéia perfeita dessa falta de sintonia com a realidade e a inexistência de uma visão do que é o Brasil como ''sociedade complexa'' e articulada ao mundo.
O mais grave é que o espírito de claque é incompatível com o pensamento e com qualquer visão crítica. Daí a quase unanimidade diante de uma minoria, meio anônima, que se recusa a aplaudir, constrangida, tanto despropósito.
República
O Paraná é um elo federativo e não uma república independente, como às vezes dá a entender o nosso governador. Ele se declarou na ''escolinha'' como quem aceita as razões do Evo Morales. Até nisso os gaúchos levam a melhor sobre os paranaenses, dando para lembrar da saga farroupilha e a de Plácido de Castro que criou a República do Acre por causa de tensões com a Bolívia. Havia nos dois casos mais dignidade, mais sacrifícios, menos bravata.
Desistência
Se o Paraná é, por seu governante, tolerante com a expropriação da Petrobras na Bolívia, obriga-se a rever, pela terceira vez, a questão da Usina de Gás de Araucária: primeiro interrompeu as suas ações sob o fundamento de que poderia explodir, depois se empenha em comprá-la e agora, com a possível supressão do gás, tudo volta ao marco zero.
Polêmica
Qual mais bonito: o Pedro Odone ou o Kaká. Se for macho, responda dando uma pirueta ou desmunhecando. Disfarce não é convicção.
Folclore
Conversa no Bar Lusitano, do Juvevê: uma estudante do terceiro grau ouve uma conversa no balcão e quando um dos fregueses afirma ''tudo vale a pena, se a alma não é pequena'' a mocinha, para mostrar que está apta ao vestiba, intervém ''isso é do Fernando de Noronha'' ao que um médico que sacou a frase esclareceu ''e foi dita no arquipélago de Fernando Pessoa''. Crueldade.
Utopia
Há um registro de Afonso Arinos de Melo Franco na apresentação da ''Utopia'' do inglês Thomas Morus (de 1980, Universidade de Brasília, tradução de Anah, sua esposa) sugerindo que o pensador renascentista identificou a ilha brasileira, de Fernando de Noronha, referida na carta de Américo Vespúcio, como o cenário imaginado. Morus foi beatificado por Leão XIII e canonizado por Pio XI. João Paulo II, em 2000, o proclamou ''Patrono dos Governantes e dos Políticos''.
Terceiro setor
A denúncia no Ministério Público analisando as relações da Cohapar com o chamado terceiro setor, hoje tomado pela demagogia de federações de moradores e de entidades sem filtro para entender as relações que assumem, não é apenas referente ao governo atual, mas dos dois períodos anteriores, os de Lerner. O curioso é que a oposição, hoje situação, denunciou uma cooperativa de trabalho do tempo de Lerner e que praticamente é o mesmo processo: o órgão público se vale de um intermediário para ele próprio fazer as coisas.
Verdades
Ele disse que a barragem de Salto Caxias iria romper, que a Usina de Gás (que agora quer comprar) explodiria, condenou transgênicos sem saber a diferença entre caroço de mamona e alimento (tentou comê-lo) e ataca eucalipto que está no Brasil desde 1868 e é imune a pragas, embora sensível a discursos.





