LUIZ GERALDO MAZZA
Requião e Lula, siameses?
Não será surpresa se o Chávez ajudar, e até materialmente, as campanhas de Lula e Requião. Seu empenho em ter uma presença, cada vez mais forte no Cone Sul, é visível em iniciativas como a da refinaria em sociedade com a Petrobras em Pernambuco ou coisas mais exparsas como a do intercâmbio com o Paraná, isso sem falar no empréstimo à combalida Argentina.
Ficou visível também que até por causa das imaginárias afetividades com Hugo Chávez o nosso governador, logo depois do aturdimento da vaia que sofreu, destacou em Lula uma suposta resistência à internacionalização da economia, exatamente o contrário do que vinha afirmando.
Ora, o modelo que aí está é o mesmo de FHC com um diferencial negativo na taxa do superávit primário e nesse acerto de contas com o FMI que dá uma aparência razoável de independência. Delfim Neto diz que há diferença sim: o monitoramento da nossa economia com alinhamento obrigatório ao FMI é que permitiu a recuperação dos indicadores. Devemo-la, portanto, ao FMI e de forma alguma não há méritos a FHC que simplesmente seguiu a terapia indicada.
Quando Requião vivia dizendo que Lula desprezava o Paraná, o PT publicou sério documento sobre os números da participação da União em vários projetos e ficou nítido que o fiel da balança pendia para o governo federal em recursos aplicados. Agora temos mais alguns: o BNDES aplicou até agora quase R$ 9 bi nesses três anos e três meses de gestão. Para ser exato: R$ 8,727 bi. Neste trimestre nada menos do que R$ 554 milhões, em 2005 R$ 3,356 bi e em 2004 R$ 2,764 bi.
Como é interessante a eleição de Lula para Chávez, de repente ele acaba ajudando a fazer a reaproximação de Requião com o presidente e com algum poder de influência para lançá-lo ao lado de Sarney e Renan Calheiros que desejam fechar a chapa com o PT. Maior aplicação foi de R$ 770 milhões em energia, de R$ 553 milhões em transportes, R$ 210 milhões em indústria de alimentos e de bebidas, R$ 172 mi em máquinas e equipamentos e R$ 183 mi em veículos. Não pega bem insistir em que Lula não atende o Paraná. Fica ridículo.
Cem e sem
O ideal seria que o governador estivesse sem parentes no governo e não com cem, como alegou ontem o Valdir Rossoni na TV.
Rosinha
Enquanto o Tadeu Veneri mal reagiu aos ataques de Requião, o Rosinha sugeriu que o nosso governador é um faraó. Em lugar de Queóps, Requióps.
Parenteralismo
Segundo um estudo, há 5.000 beneficiários de nepotismo, cruzado e enraizado, só no Paraná. Essa notícia fica entre parênteses ou entre parentes.
Conservação
Vem aí crítica pesada sobre as unidades de conservação em cima dos serviços de consultoria. Cada vez mais difícil distinguir conservacionistas de conservadores e de conversadores.
Folclore
Quando em nome da ecologia militantes ambientalistas criticaram medidas do então prefeito Rafael Greca em parques, ele os chamou de ''biodesagradáveis''.
Bufoneria
Essa história de votar as PECs do nepotismo, mesmo sabendo da sua prévia inconstitucionalidade, revela o nível de vassalagem ao espetáculo. E quem a comanda é Hermas Brandão, que deveria ser o fiscal do poder, e que tenta, por essa via, fugir ao ônus da impopularidade. Há ainda quem o olhe como se fosse uma reencarnação do Abraham Lincoln, o último lenhador que virou presidente.
Porto
O porto era perto e agora é um parto. Ainda por cima, a fórceps.





