LUIZ GERALDO MAZZA
Vaia pedagógica
Na abertura da apresentação do presidente venezuelano no Teatro Guaíra o governador se acreditou no seu meio, na sua claque, quando atacou a emenda antinepotismo e usando palavras de baixíssimo calão. Imaginou-se antenado com o público e perdeu a linha fazendo trocadilhos (o que já é um horror) com o autor da iniciativa que considerava ''venérea''. Levou uma vaia daquelas, solta, ululante. Provocado por uma faixa do antinepotismo no recinto, perdeu todos os referenciais mínimos de equilíbrio e a vaia, multiplicada pela acústica, foi algo inesquecível em termos de lição política. Aquilo que Bobbio chama de poder ascendente das massas contra o descendente do governo.
Uma absoluta ausência de senso porque aquele era um ambiente para destacar as afinidades imaginadas com Chávez, latinidade, resistência à globalização sem controles, nacionalismo. Bastou, porém, tocar no assunto suburbano, e nada mais paroquial que enlaces parenterais, para levar uma vaia.
É verdade que nesse mesmo local, na gestão passada, uma platéia típica de Guairão, bem vestida e sofisticada, aristocrática enfim, aplicou uma vaia didática, ajustada ao ambiente, na base da ''bocca chiusa'', boca fechada, meio sibilada, como se faz em óperas e concertos quando alguém sai da linha. Se até o Pavarotti por ter se saído mal ao entoar uma nota levou uma vaia dessas por que não se o faria com o Jaime Lerner?
A de ontem não teve sutileza e por isso mesmo foi simétrica à mancada.
Diplomacia
Na Fiep, anteontem, o governador disse no encontro Paraná-Venezuela que o Estado avalisa os empréstimos dos pequenos junto ao BRDE porque os grandes não são confiáveis. Do jeito que vamos em breve teremos só pequenos.
Opção
Quando a América Latina tem como paradigma um Hugo Chávez dá para entender porque se acertou tão bem com Somoza, Stroessner e Trujilo.
Vicentão
Lançado ontem o tablóide ''Vicentão'', jornal de uma rua: a Vicente Machado.
Paradoxo
Os que eram tidos como libertários agora bajulam os tiranetes.
Orwell
O culto a George Orwell é uma constante no governo paranaense: a expressão ''Requião tem razão'' é decalcada de ''A revolução dos bichos'' e o uso do grampeador de telefone, Guardião, denunciado pelo deputado federal Hauly (e que tem bala na agulha sobre o assunto), lembra 1984 e o Big Brother.
Folclore
O comentarista da Rádio Gazeta ao ver um determinado jogador errar o décimo passe não deixou por menos: ''ele erra mais passe do que pai de santo novo!''
Cascavel
Dia 13 de maio, o promotor de justiça aposentado e poeta Antonio de Jesus assume a presidência da Academia de Letras de Cascavel.
Pitaco
Na aula extra da ''escolinha'', no Guairão, ninguém levou ''pitaco'' do chefe. Só houve aquele inesperado do público.
Submissão
A postura servil de Hermas Brandão ao Executivo atinge as raias do absurdo: aposta o seu mandato como o salário mínimo regional será aprovado. Se não for, promete renunciar. É o centralismo demagógico atingindo o auge.





